SEMEANDO SEMPRE

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sábado, 28 de janeiro de 2017

A IDEIA DE CENTRO NAS TRADIÇÕES ANTIGAS

Fonte: René Guénon em “Símbolos da Ciência Sagrada”,
Editora Pensamento, Brasil
tradução: J. Constantino Kairalla Riemma

À idéia de Centro que tem a maior importância em todas as tradições antigas, vamos aqui indicar algumas de suas principais significações. Para os modernos, de fato, essa idéia não mais evoca de imediato tudo aquilo que evocava para os antigos. Aí, como em tudo o mais que se refere ao simbolismo, muitas coisas foram esquecidas e certos modos de pensar parecem ter-se tornado totalmente estranhos à grande maioria de nossos contemporâneos. Cabe portanto insistir sobre isso, em particular porque a incompreensão é geral e completa a esse respeito.

O Centro é, antes de tudo, a origem, o ponto de partida de todas as coisas; é o ponto principal, sem forma e sem dimensões, portanto invisível, e, por conseguinte, a única imagem que se pode atribuir à Unidade primordial. Dele, por sua irradiação, todas as coisas são produzidas, do mesmo modo que a Unidade gera todos os números, sem que sua essência seja por isso modificada ou alterada de alguma forma. Há, aí, um perfeito paralelismo entre dois modos de expressão: o simbolismo geométrico e o simbolismo numérico, de tal modo que se pode empregá-los indiferentemente e passar-se de um a outro da maneira mais natural. É preciso não esquecer, contudo, que em ambos os casos estamos lidando sempre com símbolos: a unidade aritmética não é a Unidade metafísica; trata-se apenas de uma representação, embora nada tenha de arbitrária, pois existe entre elas uma relação analógica real. E é essa relação que permite transpor a ideia da Unidade além do domínio da quantidade, à ordem transcendental.

O mesmo acontece com a idéia de Centro, que é passível de uma transposição similar, mediante a qual se despoja de seu caráter espacial, que só é evocado a título de símbolo: o ponto central é o Princípio, o Ser puro. O espaço que ele preenche com sua irradiação, e só por essa irradiação (o Fiat Lux do Gênesis), sem a qual esse espaço apenas seria "privação" e nada, é o Mundo no sentido mais amplo da palavra, o conjunto de todos os seres e de todos os estados de existência que constituem a manifestação universal. A representação mais simples da ideia que acabamos de formular é o ponto no centro do círculo o ponto é o emblema do Princípio, e o círculo é o emblema do Mundo. Ir impossível determinar qualquer origem no tempo para o emprego dessa representação, pois é encontrada com freqüência em objetos pré-históricos. Sem dúvida, é preciso ver nessa representação um dos signos que se ligam diretamente à tradição primordial. Às vezes, o ponto é rodeado de vários círculos concêntricos, que parecem representar os diferentes estados ou graus da existência manifestada, dispondo-se hierarquicamente conforme seu maior ou menor afastamento do Princípio primordial. O ponto no centro do círculo também foi utilizado, provavelmente desde uma época muito antiga, como uma representação do Sol, visto ser ele em verdade, na ordem física, o Centro ou o "Coração do Mundo". E essa figura permaneceu até nossos dias como o signo astrológico e astronômico usual do Sol. É talvez por essa razão que a maior parte dos arqueólogos, sempre que encontra esse símbolo, atribui-lhe uma significação exclusivamente "solar", enquanto que, na realidade, esta é muito mais ampla e profunda. Esquecem-se ou ignoram que o Sol, do ponto de vista de todas as tradições antigas, nada mais é em si que um símbolo do verdadeiro "Centro do Mundo", isto é, do Princípio divino. A relação que existe entre o centro e a circunferência, ou entre o que representam respectivamente, já está claramente indicada pelo fato de que a circunferência não poderia existir sem o seu centro, enquanto que este é absolutamente independente daquela. 

Tal relação pode ser indicada de modo ainda mais claro e explicito através de raios provenientes do centro e que terminam na circunferência. Esses raios, é evidente, podem ser representados em número variável, pois sua quantidade é indefinida, do mesmo modo que os pontos da circunferência que lhe assinalam as extremidades. Mas, na realidade, escolheu-se sempre, para as representações dessa espécie, números que tem, por si próprios, um valor simbólico particular. Nesse caso, a forma mais simples é a que apresenta apenas quatro raios dividindo a circunferência em partes iguais, ou seja, dois diâmetros retangulares formando uma cruz no interior dessa circunferência Essa nova figura tem a mesma significação geral da primeira, mas a ela se juntam algumas outras secundárias que a completam: a circunferência, se a considerarmos sendo percorrida num certo sentido, é a imagem de um ciclo de manifestação, tal como os ciclos cósmicos, sobre os quais a doutrina hindu, em particular, oferece uma teoria bastante desenvolvida. As divisões determinadas na circunferência pelas extremidades dos braços da cruz correspondem, então, aos diferentes períodos ou fases nos quais se divide o ciclo. Tal divisão pode ser vista, por assim dizer, em diversas escalas, de acordo com a maior ou menor extensão dos ciclos. Teremos desse modo, por exemplo, e para permanecermos numa única ordem da existência terrestre, os quatro principais momentos do dia, as quatro fases da lua, as quatro estações do ano, e também, segundo a concepção que encontramos tanto nas tradições da Índia e da América Central, quanto da Antiguidade greco-latina, as quatro idades da humanidade. Aqui apenas indicamos sumariamente essas considerações, para dar uma idéia de conjunto daquilo que os símbolos em questão exprimem; no entanto, elas se vinculam mais diretamente ao que trataremos a seguir.

Entre as figuras que comportam maior numero de raios, mencionaremos em especial as rodas ou "rodelas", que tem habitualmente seis ou oito raios. A "rodela" céltica, que se perpetuou através de quase toda a Idade Média, apresenta-se sobre uma ou outra dessas duas formas. Essas mesmas figuras, especialmente a segunda, encontram-se com muita freqüência nos países orientais, em particular na caldéia e Assíria, na Índia (onde a roda é denominada chakra) e no Tibet. Por outro lado, existe um estreito parentesco entre a roda com seis raios e o crisma, resumindo-se a diferença no fato de que neste último, em geral, não se traça a circunferência à qual pertencem as extremidades dos raios.

A roda, ao invés de ser apenas um signo "solar", como se afirma comumente em nossa época, é antes de tudo um símbolo do Mundo, o que se pode compreender sem dificuldade. Na linguagem simbólica da índia, fala-se sempre da "roda das coisas" ou da "roda da vida", o que corresponde claramente a essa significação. Fala-se, também, da "roda da Lei", expressão que o budismo adotou, corno muitas outras, das doutrinas anteriores e que, ao menos na origem; referia-se sobretudo às teorias cíclicas. Deve-se acrescentar ainda que o Zodíaco é representado também sob a forma de uma roda, nesse caso com doze raios, e que o seu nome em sânscrito significa literalmente "roda dos signos"; poder-se-ia traduzi-lo de igual modo por "roda dos números", de acordo com o sentido principal da palavra râshi, que serve para designar os signos do Zodíaco.

Existe, além disso, uma certa conexão entre a roda e os diversos símbolos florais; poderíamos mesmo, em certos casos pelo menos, falar de uma verdadeira equivalência. Se considerarmos uma flor, a “Roda da Fortuna”, no simbolismo da antiguidade ocidental, tem relações muito estreitas com a “roda da Lei”, e igualmente, embora isso não pareça tão claro à primeira vista com a roda zodiacal. Entre outros indícios dessa equivalência, no que se refere à idade média, vimos a roda de oito raios e uma flor de oito pétalas representadas uma ao lado da outra numa mesma pedra esculpida, encaixada na fachada da antiga igreja de Saint-Mexme de Chinon, e que data muito provavelmente da época carolíngea. 


As flores Simbólicas

As flores simbólicas tal como o lótus, o lírio ou a rosa, o seu desabrochar representa, entre outras coisas (pois são símbolos com múltiplas significações) e por uma similaridade muito compreensível, o desenvolvimento da manifestação. Esse desabrochar é ainda uma irradiação ao redor do centro, pois, aqui também, trata-se de figuras "centradas", o que justifica sua assimilação à roda. Na tradição hindu, o mundo é muitas vezes representado sob a forma de um lótus, em cujo centro se levanta o Mêru, a montanha sagrada que simboliza o Pólo.

Mas voltemos às significações do "Centro", pois até aqui só expusemos a primeira delas, que se refere à imagem do Princípio. Encontraremos uma outra no fato de que o Centro é propriamente o "meio", o ponto equidistante de todos os pontos da circunferência, e que divide todos os diâmetros em duas partes iguais. No que dizíamos antes, o Centro era considerado de algum modo anterior à circunferência, que só tinha realidade pela irradiação dele; agora, é considerado em sua relação com a circunferência realizada, isto é, trata-se da ação do Princípio no seio da criação. O meio entre os extremos representados pelos pontos opostos da circunferência é o lugar em que as tendências contrárias, tocando seus extremos, neutralizam-se e permanecem em perfeito equilíbrio. Certas escolas de esoterismo muçulmano, que atribuem à cruz um valor simbólico da maior importância, dão o nome de "estação divina" (e1-maqâmul-ilâhi) ao centro da cruz, que designam como o lugar em que se unificam todos os contrários e se resolvem todas as oposições. A ideia que se exprime aqui de modo mais particular é a de equilíbrio, que se identifica a de harmonia; não são duas idéias diferentes, mas apenas dois aspectos de uma mesma ideia.

Existe ainda um terceiro aspecto, ligado mais em particular ao ponto de vista moral (embora passível
de receber também outras significações), que é a ideia de justiça. Pode-se relacionar o que dissemos aqui à concepção platônica segundo a qual a virtude consiste em um justo meio entre dois extremos. De um ponto de vista muito mais universal, as tradições extremo orientais falam seguidamente do "Meio Invariável", que é o ponto em que se manifesta a "Atividade do Céu", e, segundo a doutrina hindu, no centro de todo ser e de todo estado da existência cósmica, reside um reflexo do Princípio Supremo.

O próprio equilíbrio, aliás, nada mais é que o reflexo, na ordem da manifestação, da imutabilidade
absoluta do Princípio. Para considerar as coisas sob essa nova relação, é preciso olhar a circunferência como estando em movimento em torno de seu centro, o qual não participa desse movimento. A própria idéia de roda (rota) evoca de imediato a ideia de rotação, e essa rotação é a representação da mudança contínua a que estão submetidas todas as coisas manifestadas. Nesse movimento, só há um ponto que permanece fixo e imutável: o Centro. Isso nos leva de volta às concepções cíclicas sobre as quais dissemos algumas palavras anteriormente: o percurso de um ciclo qualquer, ou a rotação da circunferência, é a sucessão, seja sob o modo temporal, seja sob outro qualquer. A fixidez do Centro é a imagem da eternidade, em que todas as coisas são apresentadas em perfeita simultaneidade. A circunferência só pode girar ao redor de um centro fixo; do mesmo modo, a mudança, que não é suficiente por si mesma, supõe necessariamente um princípio exterior à mudança: é o "motor imóvel" de Aristóteles também representado pelo Centro. O Princípio Imutável é, por conseguinte e ao mesmo tempo, tudo aquilo que existe, muda ou se move; e não há realidade que, conseqüentemente, não dependa totalmente dele. E é isto que dá ao movimento seu impulso inicial e, também, o que a seguir o dirige e o governa; aquilo que lhe dá sua lei, pois a conservação da ordem do mundo é apenas uma espécie de prolongamento do ato criador. Ele é, segundo uma expressão hindu, o "ordenador interno" (antaryâmî), pois dirige todas as coisas do interior, residindo ele próprio no ponto mais interior de todos, que é o Centro.

Ao invés da rotação de uma circunferência em torno de seu centro, pode-se considerar também a de
uma esfera em torno de um eixo fixo; sua significação simbólica é exatamente a mesma. É por isso que as representações do "Eixo do Mundo" são tão numerosas e tão importantes em todas as tradições antigas; e o seu sentido geral é, no fundo, o mesmo das figuras do "Centro do Mundo", salvo talvez pelo fato de evocarem o lírio tem seis pétalas; o lótus, nas representações mais comuns, tem oito; as duas formas correspondem, portanto, às rodas de seis e oito raios. Quanto à rosa, ela é representada com um número variável de pétalas, o que pode modificar sua significação ou, pelo menos, dar-lhe matizes diferentes. Sobre o simbolismo da rosa, ver o artigo muito interessante de Charbonneau-Lassay (Regnabit, mar. 1926).

Quando a esfera, terrestre ou celeste, realiza a rotação em tomo de seu eixo, há dois pontos da esfera que permanecem fixos: são os pólos, que se constituem nas extremidades do eixo ou em seu ponto de encontro com a superfície da esfera. É por isso que a idéia de Pólo é equivalente à idéia de Centro. O simbolismo que se refere ao Pólo, e que se reveste às vezes de formas muito complexas, encontra-se também em todas as tradições, onde possui um lugar considerável. E se a maior parte dos eruditos modernos ainda não se apercebeu disso, é mais uma prova de que lhe falta a verdadeira compreensão dos símbolos.

Uma das figuras mais impressionantes, que resume as idéias que acabamos de expor, é a swastika, ou
suástica, que é essencialmente o "signo do Pólo". Acreditamos que, na Europa moderna, até agora, não se conhece seu verdadeiro significado. Tentou-se inutilmente explicar esse símbolo pelas teorias
mais fantasistas; chegou-se mesmo a ver nele o esquema de um instrumento primitivo destinado à produção do fogo; na verdade, se houver em certas circunstâncias, alguma relação com o fogo, é por razões muito diferentes. Foi com freqüência considerado como um signo "solar", que, no entanto, só poderia, assim, ter-se tornado de forma acidental ou de um modo muito indireto; a esse respeito poderíamos repetir aqui o que dissemos a propósito da roda e do ponto no centro do círculo. Os que estiveram mais próximos da verdade foram aqueles que consideraram a suástica como símbolo do movimento, mas essa interpretação é ainda insuficiente, porque não se trata de um movimento qualquer, mas, sim, de um movimento de rotação que se realiza em torno de um centro ou de um eixo imóvel. E o ponto fixo é precisamente o elemento essencial ao qual se refere de forma direta o símbolo em questão. Todas as outras significações que a mesma figura comporta derivam-se desta: o Centro imprime movimento a todas as coisas e, como o movimento representa a vida, a suástica torna-se, por isso, um símbolo da vida, ou, mais exatamente, do papel vivificante do Princípio
em relação à ordem cósmica.

Se compararmos a suástica com a figura da cruz inscrita na circunferência, poderemos nos dar conta de que são, no fundo, dois símbolos equivalentes, com a única diferença de que a rotação, ao invés de ser representada pelo traçado da circunferência, é apenas indicada na suástica por linhas acrescentadas às extremidades dos braços da cruz em ângulos retos; essas linhas são tangentes à circunferência, marcando a direção do movimento nos pontos correspondentes. Como a circunferência representa o Mundo, o fato de se encontrar subentendida indica muito claramente que a suástica não é uma representação do Mundo, mas sim da ação do Princípio em relação ao Mundo.

Se atribuirmos à suástica o movimento de rotação de uma esfera, como o da esfera celeste em torno do seu eixo, é necessário supô-la traçada no plano equatorial; assim, o ponto central será a projeção do eixo sobre o plano que lhe é perpendicular. É secundária a importância do sentido de rotação indicado pois são encontradas as duas formas sem que seja preciso ver nisso a intenção de estabelecer entre elas uma oposição qualquer. Sabemos muito bem que, em certos países em certas épocas, a mesma observação valeria também para o crisma comparado à roda.

A palavra swastika é, em sânscrito, a única que serve para designar, em qualquer caso, o símbolo em
questão; o termo sauwastica, que alguns aplicaram a uma das formas para distingui-la da outra (que seria então a verdadeira suástica), é apenas um adjetivo derivado de swastika e indica aquilo que se refere a esse símbolo ou as suas significações. A mesma observação vale para outros símbolos, em especial para crisma de Constantino, no qual o P está às vezes invertido, o que levou alguns a pensarem que deveria ser então considerado como o signo do Anti-Cristo. Tal intenção pode ter existido de fato em alguns casos, mas existem outros em que isso é evidentemente impossível de ser admitido (nas catacumbas, por exemplo). De igual modo, o “quatro de cifra” corporativo, que é, aliás, uma modificação desse mesmo P do crisma, está voltado indiferentemente em um sentido ou outro, e possa talvez atribuir esse fato a uma rivalidade entre corrente, podem ter ocorrido cismas em que seus partidários deram voluntariamente à figura uma orientação contrária àquela que era habitual naquele meio do qual haviam se desligado, tendo isso como finalidade seu antagonismo por meio de uma manifestação exterior. Mas isso não afeta em nada a significação essencial do símbolo, que permanece a mesma em todos os casos.

A suástica, longe de ser exclusivamente oriental, como se acreditou algumas vezes, é na realidade um daqueles símbolos muito difundidos, sendo encontrado em quase toda parte, do Extremo Oriente ao Extremo Ocidente, pois existe até em certos povos indígenas da América do Norte. Na época atual, conservou-se em particular na Índia e na Ásia Central e Oriental, e é provável que apenas nessas regiões exista quem saiba ainda o que ele significa. Entretanto, mesmo na Europa, ele não desapareceu inteiramente. Na Lituânia e na Curlândia, os camponeses ainda traçam esse signo em suas casas, embora sem dúvida não mais conheçam o seu sentido e só vejam nele uma espécie de talismã protetor; mas, o que talvez seja mais curioso, é que eles lhe dão o nome sânscrito de swastika. Na Antigüidade, encontramos esse signo em especial entre os celtas e na Grécia pré-helênica; e, ainda, no Ocidente, como escreveu o Sr. Charbonneau-Lassay, foi antigamente um dos emblemas de Cristo, permanecendo em uso como tal até perto do final da Idade Média. Do mesmo modo que o ponto no centro do circulo e a roda, a suástica remonta incontestavelmente aos tempos pré-históricos, e, de nossa parte, vemos esse signo ainda, sem qualquer hesitação, como um dos vestígios da tradição primordial.

Não terminamos ainda de indicar todas as significações do Centro: ele é, em primeiro lugar, um ponto de partida, mas é também um ponto de finalização; tudo procede, dele, e tudo deve finalmente a ele retomar. Já que todas as coisas só existem por causa do Princípio e não poderiam subsistir sem Ele, deve existir entre elas um vínculo permanente, representado pelos raios que juntam ao centro todos os pontos da circunferência. Esses raios podem ser percorridos em dois sentidos opostos: em primeiro lugar, do centro para a circunferência, e, a seguir, da circunferência voltando para o centro. São como que duas fases complementares, sendo a primeira representada pelo movimento centrífugo e a segunda pelo movimento centrípeto. Essas duas fases podem ser comparadas à respiração, de acordo com um simbolismo freqüentemente referido pelas doutrinas hindus, além de ter uma analogia não menos notável com a função fisiológica do coração. Com efeito, o sangue parte do coração espalhando-se por todo o organismo, vivificando-o, e retornando a seguir ao coração, cujo papel como centro orgânico é, na verdade, completo e corresponde por inteiro à idéia que, de um modo geral, devemos ter a respeito do Centro na plenitude de sua significação.

Todos os seres, por dependerem de seu Princípio em tudo o que são, devem consciente ou inconscientemente aspirar a retornar para Ele. Essa tendência de retomo ao Centro tem, do mesmo modo, em todas as tradições, sua representação simbólica, que pode ser exemplificada com a orientação ritual, voltada exatamente na direção de um centro espiritual, imagem terrestre e sensível do verdadeiro "Centro do Mundo".

A orientação das igrejas cristãs é um desses casos e refere-se essencialmente à mesma idéia conhecida por todas as religiões. No islã, essa orientação (qibla) é como que a materialização, se assim pudermos falar, da intenção (niyya) pela qual todas as potências do ser devem ser dirigidas para o Princípio Divino; e muitos outros exemplos poderiam ser facilmente encontrados. Haveria muito o que dizer sobre essa questão, mas diferentes corporações ou ao desejo de se distinguirem entre si, pois são encontradas as duas formas nas marcas pertencentes a uma mesma corporação.

Não nos referimos aqui ao uso inteiramente artificial da suástica, em especial por certos grupos políticos alemães, que fizeram dela, com total arbitrariedade, um signo de anti-semitismo, a pretexto de que esse seria o emblema conveniente para a pretensa “raça-ariana”, o que não passa de pura fantasia.

Este texto foi escrito para publicação em 1926. O lituano é, dentre todas as línguas europeias, a que tem maior semelhança com o sânscrito. Existem diversas variantes da suástica, por exemplo uma forma com braços curvos (com aparência de dois S cruzados), que vimos em particular numa moeda gaulesa. Além disso, certas figuras que só guardaram um mero caráter decorativo, como a cercadura “grega”, são originalmente derivadas da suástica.

Em resumo, o Centro é, ao mesmo tempo, o princípio e o fim de todas as coisas; ele é, segundo um
simbolismo muito conhecido, o Alfa e o Omega. Melhor ainda, é o princípio, o meio e o fim. Esses três aspectos estão representados pelos três elementos do monossílabo Aum, ao qual o Sr. Charbonneau-Lassay referiu-se como emblema de Cristo, e cuja associação à suástica, entre os signos do convento do Carmo de Loudun, parece-nos particularmente significativa. De fato, esse símbolo, muito mais completo que o Alfa e o Omega, e capaz de sentidos que poderiam propiciar desenvolvimentos quase que indefinidos, é, por uma das concordâncias mais surpreendentes que se poderiam encontrar, comum à antiga tradição hindu e ao esoterismo cristão da Idade Média. Em ambos os casos, ele é, igualmente e por excelência, um símbolo do Verbo, que é na realidade o verdadeiro "Centro do Mundo".

René Guénon

“SHEKINAH” E “METRATON”

Fonte: René Guénon em “O Rei do Mundo”, Editorial Minerva, Portugal
tradução: Edmundo Motrena

Alguns espíritos tímidos e cuja compreensão se encontra estranhamente limitada por idéias preconcebidas, assustaram-se com a designação de “Rei do Mundo”, que aproximaram da de “Princeps Hujus Mundi”, de que se trata no Evangelho. É sabido que tal assimilação é completamente errônea e desprovida de fundamento. Para afastá-la, poderíamos limitar-nos a notar simplesmente que este título de “Rei do Mundo”, em hebreu e em árabe, é aplicado vulgarmente ao próprio Deus. No entanto, como pode haver aqui algumas observações interessantes, consideremos a este propósito as teorias da Qabalah hebraica relativas aos “intermediários celestes”, teorias que, por outro lado, tem uma relação direta com o tema principal do presente estudo.

Os “intermediários celestes”, de que se trata aqui, são a “Shekinah” e “Metraton”. E diremos em primeiro lugar que, no sentido mais geral, a “Shekinah” é a “presença real” da Divindade. Deve notar-se que as passagens da Escritura onde se faz muito especialmente menção disso, são sobretudo aquelas em que se trata da instituição de um centro espiritual: a construção do Tabernáculo, a edificação dos Templos de Salomão e de Zorobabel. Tal centro, constituído em condições regularmente definidas, devia ser efetivamente o lugar da manifestação divina, sempre representada como “Luz”; e é curioso observar que a expressão “lugar mais iluminado e mais regular” que a Maçonaria tem conservado, parece ser uma recordação da antiga ciência sacerdotal, que presidia à construção dos templos e que, de resto, não era particular dos Judeus. Não temos de entrar no desenvolvimento da teoria das “influências espirituais” (preferimos esta expressão à palavra “bençãos” para traduzir o hebreu berakoth, tanto mais que é este o sentido que tem conservado, bem claramente, em árabe a palavra barakah). Mas mesmo cingindo-se a encarar as coisas, debaixo desse único ponto de vista, seria possível explicar a frase de Elias Levita, a que se refere Mr. Vulliaud, na sua obra “A Qabalah Judaica”: - “Os mestres da Qabalah tem grandes segredos acerca desse assunto”.

A Shekinah apresenta-se sob múltiplos aspectos, dos quais dois são principais, um interno e outro externo; mas, por outro lado, existe na tradição cristã uma frase que designa tão claramente quanto possível estes dois aspectos: “Gloria in excelsius Deo” e “in terra Pax hominis bonae voluntatis”. As palavras Gloria e Pax referem-se respectivamente ao aspecto interno, em relação ao Princípio, e ao aspecto externo, em relação ao mundo manifestado; e se considerarmos assim essas palavras, pode compreender-se imediatamente por que são proferidas pelos Anjos (Malakin) para comunicar o nascimento de “Deus conosco” ou “em nós” (Emanuel). Pelo primeiro aspecto, poder-se-iam também recordar as teorias dos teólogos sobre a “luz de glória”, na qual e pela qual se opera a visão beatífica (in excelsis); e, quanto ao segundo, reencontramos aqui a “Pax”, à qual nos referimos há pouco e que, no seu sentido esotérico, é indicada em toda a parte como um dos atributos fundamentais dos centros espirituais estabelecidos no mundo (in terra). Por outro lado, o termo árabe Sakinah, que é idêntico evidentemente ao hebreu Shekinah, traduz-se por “Grande Paz”, que é o exato equivalente da Paz Profunda, dos Rosacruzes. E por isso, poder-se-ia, sem dúvida, explicar o que aqueles entendem pelo “Templo do Espírito Santo”, como também poderia. Além disso, há uma grande diferença de sentido entre “o mundo” e “este mundo”, a tal ponto que, em certas línguas, existem para os designar dois termos inteiramente distintos: assim, em árabe, “o mundo” é el-âlam, enquanto que “este mundo” é ed-dunyâ. Salomão, rei de Israel (973/930 a.C.). Construiu o templo de Jerusalém e foi o autor de três livros do Antigo Testamento. Zorobabel, príncipe de Judá, da casa de David, que restabeleceu os Judeus no seu país, depois do édito de Ciro (séc. V a.C.). interpretar-se de uma maneira precisa, os inúmeros textos evangélicos, nos quais se fala da “Paz”3, tanto mais que a “tradição secreta relativa à Shekinah teria alguma relação com a luz do “Messias”.

É sem intenção que Vulliaud, quando dá esta última indicação, diz que se trata da tradição “reservada àqueles que perseguem o caminho que vai dar no Pardes”, isto é – como veremos mais adiante – ao centro espiritual supremo? Isso sugere ainda outra observação análoga. Vulliaud fala, em seguida, de um “mistério relativo ao Jubileu”, o que se liga num sentido, à idéia de Paz, e, a propósito, cita este texto do Zohar (III, 52b):- “O rio que sai do Éden tem o nome de Iobel”, assim como o de Jeremias (XVII, 8) – “Ele estenderá as suas raízes na direção do rio”, donde resulta que a “idéia central do Jubileu é a repetição de todas as coisas no seu estado primitivo”. É bem claro que se trata do regresso ao “estado primordial”, que todas as tradições consideram, e no qual tivemos ocasião de insistir no nosso estudo “O Esoterismo de Dante”. E quando acrescentamos que o “regresso de todas as coisas ao seu primeiro estado poderão recordar o que nós dissemos acerca do “Paraíso Terrestre” e da “Jerusalém Celeste”.

Por outro lado, para dizer a verdade, é sempre nas diversas fases da manifestação cíclica, o Pardes, o centro desse mundo, que o simbolismo tradicional de todos os povos compara ao coração, centro do ser humano e “residência divina” (Brahama-pura) na doutrina hindu, como no Tabernáculo é a imagem dele e que, por tal motivo, é denominado em hebreu mishkam ou “habitáculo de Deus”, palavra cuja raiz é a mesma de Shekinah. Debaixo de outro ponto de vista, a Shekinah é a síntese dos Sephiroth. Ora, na árvore sefirótica, a “coluna da direita” é o lado da Misericórdia, e a “coluna da esquerda” é o lado da Severidade4. Temos também de reencontrar esses dois aspectos na Shekinah e podemos notar logo, para ligar isto ao que precede, que, pelo menos, em certa medida, a Austeridade se identifica com a Justiça e a Misericórdia com a Paz5. “Se o homem peca e se afasta da Shekinah, cai sob o domínio dos poderes (Sârim) que dependem da Severidade”, o que lembra o símbolo muito conhecido da “Mão da Justiça”. Mas se, pelo contrário, “o homem se aproxima da Shekinah, liberta-se” e a Shekinah é a “Mão direita de Deus”, o que quer dizer que a “Mão da Justiça” se torna, então, a “mão que abençoa”6. São estes os mistérios da “Casa da Justiça”(Beith-Din), que é mais outra designação do centro espiritual supremo7. Deve notar-se que os dois lados que acabamos de considerar são aqueles em que se dividem os Eleitos e os Condenados às penas eternas, nas representações do “Dia do juízo final”. Poderia estabelecer-se igualmente uma aproximação com os dois caminhos que os pitagóricos figuravam pela letra Y e que representava, sob uma forma esotérica, o mito de Hércules 3 Por outro lado, está declarado explicitamente no próprio Evangelho que do que se trata não é, de forma alguma, da paz no sentido em que o mundo profano a entende. (S. João, XIV, 27) 4 Um simbolismo absolutamente comparável é expresso pela figura medieval da “árvore dos vivos e dos mortos”, que tem, além disso, uma relação bem clara com a idéia da “posteridade espiritual”. É preciso notar que a “árvore sephirótica” é também considerada como identificando-se com a “Árvore da Vida”.

5 Segundo o Talmude, Deus tem dois assentos, o da Justiça e o da Misericórdia. Esses dois assentos
correspondem igualmente ao “Trono” e à “Cadeira” da tradição islâmica. Esta divide, por sua vez, os nomes divinos çifâtiyah, isto é, “aqueles que exprimem os atributos propriamente ditos de Allah, em ‘nomes de majestade’ (jalâliyah) e ‘nomes de beleza’ (jamâliyah) o que corresponde ainda a uma diferença da mesma ordem.

6 Segundo Santo Agostinho e outros Padres da Igreja, a mão direita representa, do mesmo modo, a Misericórdia ou a Bondade, enquanto a mão esquerda, sobretudo de Deus, é o símbolo da Justiça. A “mão abençoadora” é um sinal da autoridade sacerdotal e é tomada, por vezes, como símbolo de Cristo. Esta figura da “Mãe abençoadora” encontra-se em certas moedas gaulesas, do mesmo modo que por vezes a “swastica” de braços curvos. 7 Este centro, ou um qualquer daqueles que são constituídos à sua imagem, pode ser descrito simbolicamente, ao mesmo tempo, como um templo (aspecto sacerdotal, correspondente à Paz) e como um palácio ou um tribunal (aspecto real, correspondente à Justiça).

Círculo Iniciático de Hermes
Última Revisão - 31/07/01 - 18:25 - Pág. 3
entre a Virtude e o Vício; com as duas portas, celeste e infernal, que nos Latinos estavam associadas ao símbolo de Janus; com as duas fases cíclicas ascendentes e descentes8 que, entre os Hindus, se ligam do mesmo modo ao simbolismo de Ganêsha9. Finalmente, é fácil compreender por isso o que querem dizer, na verdade, expressões como as de “intenção reta”, que encontraremos mais adiante, e de “boa vontade” (Pax hominibus bonae voluntatis, e aqueles que tem alguns conhecimentos dos diversos símbolos a que acabamos de fazer referência, poderão ver que é com razão que a Festa do Natal coincide com o solstício do Inverno), quando se tem o cuidado de por de parte todas as interpretações exteriores, morais ou filosóficas, às quais deram lugar desde os estóicos até Kant.
“A Qabalah dá à Shekinah um parédre que apresenta nomes idênticos aos seus, que possui por consequência os mesmos caracteres”10 e que tem naturalmente tantos aspectos diferentes como a própria Shekinah. O seu nome é Metraton, e este nome é numericamente equivalente ao de Shaddai11, o “Todo Poderoso” (que se diz ser o nome do Deus de Abraão).

A etimologia da palavra Metatron é muito incerta. entre as várias hipóteses que têm sido postas a esse respeito uma das mais interessantes é a que a faz derivar do caldaico mitra, que significa “chuva”e que também, pela sua raiz, certa relação com a “luz”. Sendo assim não é de crer que a semelhança com o Mitra hindu e zoroástrico constitua uma razão suficiente para admitir que há aí um empréstimo do Judaísmo a doutrinas estrangeiras, porque não é dessa maneira exterior que convém considerar as relações que existem entre as diferentes tradições; e diremos outro tanto do que respeita ao papel atribuído à chuva em quase todas as tradições, enquanto símbolo da descida das “influências espirituais”do Céu sobre a Terra.

A propósito, assinalemos que a doutrina hebraica fala de um “orvalho de luz” emanado da “Árvore das Vidas” pelo qual se deve operar a ressurreição dos mortos, bem como de uma “efusão de orvalho”que representa a influência celeste a comunicar-se a todos os mundos, o que lembra singularmente o simbolismo alquímico e rosacruz.

“O vocábulo Metratron comporta todas as percepções de guarda, de Senhor, de enviado, de mediador”; é o “autor das teofanias no mundo sensível”; é “o Anjo da Face” e também “o Príncipe do Mundo” (Sâr ha-ôlam) e, por esta última designação, vê-se que não nos afastamos nada do nosso tema. Para empregar o simbolismo tradicional que já explicamos anteriormente, diremos que, como o chefe da hierarquia iniciática, é o “Polo terrestre”, Metraton é o “Polo celeste”. e este reflete-se naquele, com o “Eixo do Mundo”.

“O seu nome é Mikael, o Grande Sacerdote, que é holocausto e oferta a Deus”. E tudo o que os Israelitas fazem na Terra é consumado, conforme os modelos do que se passa no mundo celeste. O Grande Pontífice neste mundo simboliza Mikael, príncipe da Clemência. Em todas as passagens onde a Escritura fala da aparição de Mikael, trata-se da glória da Shekinah. O que diz aqui dos Israelitas pode ser dito igualmente de todos os povos que possuem uma tradição verdadeiramente ortodoxa; e com mais forte razão, deve dizer-se dos representantes da tradição primordial, da qual todas as outras derivam e à qual todas estão subordinadas. e isto está em relação com o simbolismo da “Terra Santa”, imagem do mundo celeste a que fizemos referência. Por outro lado, conforme dissemos mais atrás, Metraton não tem apenas o aspecto da Clemência, tem também o da Justiça. não é somente o “Grande Sacerdote” (Koen ha-gadol), mas igualmente o “Grande 8 Trata-se das duas metades do ciclo zodiacal, que se concentra frequentemente representado no portal das Igrejas da Idade Média, como uma disposição que lhe dá evidentemente o mesmo significado. 9 Todos os símbolos que citamos aqui exigiriam ser explicados demoradamente. Talvez façamos isso, um dia, em outro estudo.
10 La Kabbale Juive, t. pp. 497-498. 11 O Número de cada um destes dois nomes, obtido pela soma dos valores das letras hebraicas, de que é formado, é 314.

Círculo Iniciático de Hermes
Última Revisão - 31/07/01 - 18:25 - Pág. 4
Príncipe” (Sar ha-gadol) e o “chefe das milícias celestes”, quer dizer que está nele o princípio do poder real, bem como o do poder sacerdotal ou pontificial, a que corresponde propriamente a função de “mediador”. Além disso, é preciso notar que Melek, “rei” e Maleak “anjo” ou “enviado” não são na realidade senão duas formas de uma mesma palavra; para mais, Malaki, “meu enviado”(isto é, o
enviado de Deus, ou “o anjo no qual é Deus”(Maleak ha-Elohim) é o anagrama de Mikael12. Convém acrecentar que, se Mikael se identifica com Metraton como acaba de ver-se, no entanto, ele não representa senão um aspecto; ao lado da face luminosa, há uma face obscura, e esta é representada por Samael, que é também chamado Sâr haôlam. Aqui voltamos ao ponto de partida.

Com efeito, é este último aspecto e aquele unicamente que é o “gênio deste mudo”, num sentido inferior, o “Princeps hujus mundi”, de que fala o Evangelho”, e as suas relações com Metraton, do qual é como que a sombra, justificam o emprego de uma mesma designação, num sentido duplo, ao mesmo tempo que fazem compreender por que o número apocalíptico 666, o “número da Besta”, é também um número solar13. Apesar disso, segundo Sto. Hipólito, “o Messias e o Anticristo têm ambos por emblema o leão”, que também é um símbolo solar: e a mesma observação podia ser feita para a serpente14 e para muitos outros símbolos. Sob o ponto de vista qabalístico, é ainda das duas faces opostas do Metraton que se trata aqui. Não temos de alongar-nos acerca das teorias que alguém poderia formular de uma maneira geral sobre esse duplo sentido dos símbolos, mas diremos apenas que a confusão entre o aspecto luminoso e o aspecto tenebroso constitui propriamente o “satanismo”. E é precisamente essa confusão que cometem involuntariamente, sem dúvida, e por simples ignorância (o que é uma desculpa, mas nunca uma justificação), aqueles que julgam descobrir uma significação infernal na designação do “Rei do Mundo”15.

12 Esta última observação recorda naturalmente estas palavras: - “Benedictus qui venit in nomine Domini”. São aplicadas ao Cristo que o Pasteur d’Hermas assemelha precisamente a Mikael, de uma maneira que pode parecer bastante estranha, mas que não deve espantar aqueles que compreendem a relação que existe entre o Messias e a Shekinah. O Cristo é também designado por “Princípe da Pax” e é, ao mesmo tempo, o “Juiz dos vivos e dos mortos”.
13 Este número é formado especialmente pelo nome de Sorath, demônio do Sol e, como tal, oposto ao anjo Mikael. Veremos mais adiante outra significação.
14 Os dois aspectos opostos são figurados principalmente pelas duas serpentes do caduceu. Na iconografia cristã, estão reunidos na anfisbena, a serpente de duas cabeças, uma das quais representa o Cristo e a outra Satã.
15 Assinalemos também que o “Globo do Mundo”, insígnia do poder imperial ou monarquia universal, se encontra frequentemente colocado na mão de Cristo, o que demonstra por outro lado que é o emblema, tanto da autoridade espiritual como do poder temporal.

TAUMATURGIA

Fonte:    De Dogme Rituel de la Haute Magie
Por Eliphas Levi (Alphonse Luís Constant)
" Traduzido A. E. Waite. ".
Originalmente publicado por Rider & Company, Inglaterra, 1896.
Transcrito converteu de um formato de Adobe Acrobat por
Benjamim Rowe, junho, 2001.


fonte: https://myspace.com/taumaturgiaska
Definimos milagres como os efeitos naturais de causas excepcionais, uma ação no humano, em corpos sem meios visíveis, constitui um milagre na ordem física. A influência exercitado em testamentos ou inteligências, ou de repente ou dentro de um determinado tempo, e capaz de dominar pensamentos, mudando as mais determinadas resoluções, paralisando as paixões mais violentas. esta influência constitui um milagre dentro o ordem moral. O erro comum relativo a milagres é os considerar como efeitos sem causas, contradições de Natureza, estranhos súbito do divina Mente, não, vendo que um único milagre desta classe destruiria a harmonia universal e reduza o universo a caos. Há milagres para os quais são até mesmo impossíveis Isto é, Deus esses que envolvem absurdo. Podido Deus seja absurdo para um momento, nem Ele nem o mundo estariam em existência o seguinte de momento. Para espere do divina Juiz um efeito que tem uma causa desproporcionada, ou até mesmo nenhuma causa nada, é o que é chamado Deus tentador: está lançando o ego da pessoa no nulo. Deus opera pelos trabalhos dele. em céu por anjos e em terra por homens. Conseqüentemente, em o círculo de ação angelical, os anjos podem executar tudo aquilo é possível para Deus, e no círculo humano de homens de ação pode dispor igualmente de divina Onipotência. Em o céu de concepções humanas é humanidade que cria Deus, e homens pensa que Deus os fez na imagem dele porque eles O fizeram dentro seu. O domínio de homem é Natureza todo corpórea e visível em terra, e se ele não pode reger sóis e estrelas, ele pode calcular o movimento deles/delas pelo menos, compute o deles/delas distâncias e identifica os seus vão com a influência deles/delas. Ele pode modificar a atmosfera, funcione um certo ponto nas estações mal, cure ou prejudique o vizinhos dele, preserve vida e inflija morte. Pela conservação de vida nós entendemos ressurreição em certos casos, como já estabeleceu. O absoluto com direito e volição é o maior poder que pode ser dado qualquer homem para atingir, e é por meio de este poder que ele executa o que surpreende a multidão debaixo do nome de milagres. A pureza mais perfeita de intenção é indispensável ao taumaturgo, e no próximo lugar um favorável confiança atual e ilimitada. O homem que veio temer nada e desejo nada é o mestre de tudo. Este é o significado daquela alegoria bonita do Evangelho, em que o Filho de Deus, muito o vencedor em cima de o espírito sujo, recebe sacerdócio de anjos na selva. Nada em terra resiste um testamento livre e racional. Quando o homem sábio diz," eu vou," é O próprio Deus que lega, e tudo aquilo que ele comanda acontece. É o conhecimento e independência do médico que constitui a virtude das prescrições dele, de onde taumaturgia é a única realidade e remédio eficaz. Segue aquele oculto terapêuticas estão aparte de todo o medicamento vulgar. Faz use a maior parte de palavras e insuflaçãos, e comunica por vá uma virtude diversa ao mais simples substâncias. água, lubrifique, vinho de cânfora, sal. A água de homeopatas é Verdadeiramente uma água magnetizada e encantou que trabalha por meio de fé. O substâncias dinâmicas somaram dentro, como quem diz, quantidades infinitésimas são consagrações e sinais do médico são ir. São chamados vulgarmente o que é charlatanice uns grandes meios de real sucesso em medicina, Assumente o que é suficientemente hábil inspirar grande confiança e formar um círculo de fé. Em medicina, acima de tudo, é fé que economiza. Há escassamente um aldeia que não possui seu componente masculino ou feminino de medicina oculta, e estas pessoas são. quase em todos lugares sempre de e. próspero de mais de incomparavelmente que os médicos aprovaram pela faculdade. Os remédios que eles prescrevem é freqüentemente estranho ou ridículo, mas nesta conta é tanto mais eficaz, porque eles extorquem e percebem mais fé por parte dos pacientes e operadores. Comerciante velho de nosso conhecido, um homem de caráter excêntrico e sentimento religioso exaltado, depois de se aposentar de negócio, se fixou a prática medicina oculta, gratuitamente e fora de caridade Cristã, em um dos Departamentos, de França. Os particulares exclusivos dele eram óleo, insuflaçãos e orações. A instituição de um processo contra ele para o exercício ilegal de medicina estabelecido dentro conhecimento público que tinham sido atribuídas dez mil curas a ele no espaço de cerca de cinco anos, e que o número dos crentes dele aumentou em proporções calculado para alarmar todos os doutores do distrito. Nós também vimos a Tripula uma freira pobre que foi considerado ligeiramente demente, mas ela curou todas as doenças não obstante dentro o país circunvizinho por meio de um elixir e gesso da própria invenção dela. O elixir foi levado interiormente, o gesso era exteriormente aplicado, de forma que nada, escapado esta panacéia universal. O gesso nunca aderido à pele economiza ao lugar onde sua aplicação era necessária, e rolou para cima e caiu por si só. tal pelo menos foi afirmado pela irmã boa e declarou para ser o caso pelo sofredores. Este taumaturgo também foi sujeitado a acusação, porque ela empobreceu a prática de todos os doutores arredonda sobre ela; ela era rigidamente clausurado, mas foi achado necessário produzir pelo menos uma vez a por semana logo, e no dia para as consultas dela nós vimos a Irmã Jane-Frances cercou pelo povo rural que tinha chegado durante a noite enquanto esperando a volta deles/delas, mentindo no convento, portão. Eles tinham dormido no chão e só tinham permanecido para receber o elixir e gesso da irmã dedicada. O ser de remédio o mesmo em todas as doenças, vai se apareça desnecessário para ela se familiarizar com os casos dos pacientes dela, mas ela escutou para eles invariavelmente com grande atenção e só a dispensou específico depois aprendendo a natureza da reclamação. Havia o segredo mágico. A direção da intenção sua virtude especial deu ao remédio que era insignificante em si mesmo. O elixir era conhaque aromático misturado com o suco de ervas amargas; o gesso era uma combinação análogo para antídoto como considera cores e cheiro; era possivelmente eletuário lance de Borgonha, mas qualquer a substância, trabalhou maravilhas, e teria sido visitada a ira do povo rural nesses que questionaram os milagres da freira deles/delas. Também se aproxime Paris que nós conhecemos de um taumaturgia velho jardineiro que maravilhoso realizado cura pondo no frascos dele o suco de todas as ervas de São João. Porém, ele teve um irmão céptico que zombou o feiticeiro, e o jardineiro pobre, subjugado pelos sarcasmos deste infiel, começado a se duvidar, ao que todos os milagres cessaram, os sofredores perderam confiança e o taumaturgo, caluniou e desesperando, morreu furioso. O Abbé Thiers, curé de Vibraie, no Tratado curioso dele relativo a Superstições, registros que uma mulher, aflito com um oftalmia aparentemente agravado, tendo sido de repente e misteriosamente curado, confessou a um padre que ela tinha se recorrido a para Magia. Ela tinha importunado um balconista quem ela considerou um mágico muito tempo, lhe dar um talismã que ela poderia usar, e ele teve a comprimento entregue o dela um rolo de papel de pergaminho, lhe aconselhando ao mesmo tempo que lavasse três vezes diariamente, em água fresca. O padre a fez deixar o pergaminho em qual era estes palavras: Eruat diabolus oculos tuos e repleat stercoribus loca vacantia. Ele traduziu eles para a mulher boa que foi estupefeita; mas, todos o mesmo, ela era curado. Insuflação é um das práticas mais importantes de medicina oculta, porque é um sinal perfeito da transmissão de vida. Inspirar, como um fato, meios para tome fôlego em alguma pessoa ou coisa, e nós já saibamos, pela uma doutrina de Hermes, que a virtude coisas criou palavras que hão uma proporção exata entre idéias e fala das quais são a primeira forma e realização verbal idéias. A respiração atrai ou repele adequadamente como está morno ou frio. O morno respirando corresponde a positivo e o respirar frio para negar eletricidade. Animais elétricos e nervosos temem respiração fria, e a experiência pode ser feito em um gato cujas familiaridades são inoportunas. Por fixamente relativo a um leão ou tigre e chegando a face deles/delas, eles seriam estupefeitos assim sobre seja forçado se retire antes de nós. Insuflação morno e prolongado recruta a circulação do sangue, curas dores reumáticas e gotosas, restabelece o equilíbrio dos humores e dispersa cansaço. Quando o operador for simpatizante e bom, age como um universal sedativo. Insuflação frio acalma dores ocasionadas por congestões e fluídico acumulações. As duas respirações devem ser usadas então alternadamente, enquanto observando a polaridade do organismo humano e agindo de uma maneira contrária no colunas que devem ser sujeitados sucessivamente a um magnetismo oposto. Assim para cure um olho inflamado, o que não é afetado deve ser sujeitado um morno e insuflação suave, insuflação frio que é praticado no sócio de sofrimento, à mesma distância e na mesma proporção. Passagens magnéticas têm um semelhante efeito para insuflaçãos, e é uns reais respirando por transpiração e radiação do ar interior que é fosforescente com luz vital. Passagens lentas constituem uma respiração morna que fortalece e eleva os espíritos; passagens rápidas são um resfriado tomando fôlego de natureza de dispersivo, neutralizando tendências a congestão. O morno deveriam ser executados insuflação transversalmente, ou de debaixo de superior; o resfriado insuflação é mais efetivo quando dirigiu para baixo de acima. Nós não só tomamos fôlego por meio de boca e narinas; a porosidade universal de nosso corpo é um Verdadeiro aparato respiratório, inadequado indubitavelmente mas a maioria útil a vida e saúde. As extremidades dos dedos onde todos os nervos terminam, difunda ou atraia a Luz Astral adequadamente como vamos nós. Passagens magnéticas sem contato estão um insuflação simples e leve; contato soma simpatizante e impressão equilibrando para respirar; é bom e até mesmo necessário, prevenir alucinações nas fases cedo de sonambulismo para isto são uma comunhão de Físico realidade que previne o cérebro e recorda imaginação vagante; isto porém, também não deve ser prolongado quando o objeto somente for magnetizar. Contato absoluto e prolongado é útil quando o desígnio for incubação ou massagem em lugar de magnetismo corretamente assim chamou. Nós demos alguns exemplos de incubação do a maioria venerou livro dos cristãos; todos eles recorrem à cura de letargias aparentemente obstinadas, como nós somos conduzidos a termo ressurreições. Massagem é ainda recorrido em grande parte para no Leste aonde é praticado com grande sucesso o banhos públicos. É completamente um sistema de fricções, tração e pressões, praticado, lentamente ao longo da extensão inteira de sócios e músculos, o resultado que é renovado equilíbrio nas forças, um sentimento de repouso completo e bem-estar, com um sensato restauração de atividade e vigor.

O poder inteiro do médico oculto está na consciência do testamento dele, enquanto a arte inteira consiste excitando a fé do paciente dele. " Se você tem fé," dito o Mestre," todas as coisas são possíveis a ele que acredita. " O assunto deve ser dominado por expressão, harmonize, gesto; confiança deve ser inspirada por um paternal maneira e alegria estimuladas por conversa da estação e vivaz. Rabelais, que era um maior mágico que ele parecia, pantagruelismo feito a panacéia especial dele. Ele compeliu os pacientes dele para rir, e todos os remédios que ele administrou subseqüentemente tido sucesso o melhor por conseguinte. Ele estabeleceu um magnético condolência entre ele e eles por meio dos quais ele deu o próprio dele confiança e humor bom; ele os lisonjeou dentro o dele prefacia, expresso eles seu precioso, mais dos pacientes ilustres, e dedicado os livros dele para eles. Assim é nós convencido o Gargantua e Pantagruel curaram humores mais pretos, mais tendências, para loucura, mais caprichos de atrabilious, àquela época de animosidades religiosas, e guerras civis, que a Faculdade inteira de Medicina poderia ostentar. Medicina oculta é essencialmente simpatizante. Afeto recíproco, ou pelo menos real benevolência, tem que existir entre o doutor e paciente. Xaropes e julepos (bebida forte) têm muito pouca virtude inerente; eles são o que elas se tornam pela opinião mútua de operador e assunto; conseqüentemente medicina homeopática dispensa com eles e nenhuma inconveniência séria segue. Óleo e entretém, combinou com sal ou cânfora, é suficiente para a cura de todas as feridas e para todas as fricções externas ou aplicações calmantes. Óleo e vinho é o medicamentos principal de tradição de Evangelho. Eles formaram o bálsamo do Samaritano bom, e no Apocalipse. descrever de ao como pestilências de últimas. o profeta pede os poderes vingadores para poupar estas substâncias, quer dizer, partir um esperança e um remédio para tantos feridas. O que nós termo Unção Extrema era o pura e simples prática do Tradicional do Mestre Medicina, ambos para o cedo Cristãos e na mente do apóstolo São James que incluiu o preceito na epístola dele para o crente do mundo inteiro. " Se qualquer homem está doente entre você," ele escreve," o deixe chamar os padres da igreja, e os deixe rezar em cima de ele, o ungindo com óleo no nome do Deus. " Esta ciência terapêutica divina estava gradualmente perdido, e Unção Extrema chegou a ser considerada como um religioso formalidade, uma preparação necessária para morte. Ao mesmo tempo, o taumaturgia não pôde ser apagada virtude óleo consagrado completamente de recordação por doutrina tradicional, e é perpetuado na passagem do Catecismo que recorre a Unção Extrema. Fé e caridade eram os poderes de cura mais notáveis entre cristãos cedo. A fonte da maioria das doenças está em desordens morais; nós tenha que começar curando a alma, e então a cura do corpo seguirá depressa.