SEMEANDO SEMPRE

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sábado, 28 de maio de 2016

A Tábua de Esmeralda

É à luz dessa ciência dos símbolos que convém notadamente interpretar a célebre Tábua de Esmeralda, síntese da Ciência Iniciática estabelecida por Hermes Trismegisto. O texto, como parece, foi gravado sobre uma placa de metal precioso enriquecida de esmeraldas (outros autores dizem que sobre uma única esmeralda).

Transcreveremos esse texto, com um brevíssimo comentário entre parênteses, notando que ele nos faz percorrer um périplo que vai da trindade humana (corpo, alma, espírito), a uma trindade cósmica (mundo natural, mundo humano, mundo divino) para terminar na trindade divina (Espírito, Essência, Energia-Vida).

 Eis esse texto, do qual não se costuma citar mais do que os dois primeiros parágrafos:

 · I - “Isto é verdade, sem mentira, muito verdadeiro.
 (A verdade nos três mundos.)

 · II - “O que está embaixo é como o que está em cima,
 (Lei da analogia, lei dos sinais de apoio.)
 “e o que está em cima é como o que está em baixo,
 (Lei da polaridade, da imantação.)
 “para fazer o milagre de uma única coisa.  
 (Lei do Ternário e de série, lei das correspondências.)

 · III - “E como todas as coisas vieram e vêm do Um,
 (Lei da unidade e da criação divinas, lei do Número.)
 “assim todas as coisas nasceram dessa coisa única, por adaptação. 
(Lei da adaptação.)

 · IV - “O Sol é o seu pai; a Lua, sua mãe; o vento carregou-o no seu ventre; a terra é a sua nutris.
 Os quatro elementos: Fogo (Sol), Água (a Lua, elemento úmido), Ar (o vento); Terra.

 · V - “Separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, docemente, com grande indústria.
 (Arcano da salvação; separação do espírito (sutil) e da matéria (espesso); espiritualização.)
 “Ele sobe da terra para o céu, e de novo desce à terra, e recebe a força das coisas superiores e inferiores.
 (Leis da involução e da evolução.)
 “Terás, por esse meio, toda a glória do número e toda escuridão se afastará de ti."

 · VI - “E a força forte de toda força.
 (Lei do amor e do sacrifício.)
 “Porque ela vencerá toda coisa sutil e penetrará toda coisa sólida.
 (E pela lei do Amor que o Espírito move o universo.)

 · VII - “Assim foi criado o mundo.
 (Lei da realização. Amor e Sacrifício criam as obras duráveis)

 · VIII.”Disso sairão inúmeras adaptações, cujo meio está aqui.

· IX - “Por isso eu fui chamado de Hermes Trismegisto, possuindo as três partes da filosofia do mundo.
 (Conhecimento absoluto dos três planos do universo: divino, astral, físico.)
 “O que eu disse da operação do Sol está realizado e aperfeiçoado.”


Extraído do livro Os Talismãs de Jean-Pierre Bayard

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A FINALIDADE DO APRENDIZADO DA MAGIA

por Frater Goya

Vamos discorrer sobre a finalidade da magia, e nos concentrar em explicar como funciona o processo de aprendizado individual do estudante mágico. Esse estudo individual é dividido em duas fases:

1) Aprendizagem: Assimilação e memorização de informações de base ou elementares da disciplina a ser estudada.
2) Pesquisa: a partir dos dados fundamentais de uma ciência, investigar os dados, criticá-los e criar novas propostas.

O Estudo fundamental da Magia consiste em: leituras, apontamentos e memorização. Mais importante que ler, é saber escolher um bom livro...

   Non pas lire, mais élire = não ler, mas escolher 

Leitura
É preciso ler com qualidade. Se formos atrás do que os leitores andam lendo, chegaremos à conclusão de que o ocultismo não deve ser realmente levado à sério. A falta de critério na escolha dos livros beira o absurdo. Quando é feita a fatídica pergunta: “O que você gosta de ler?” , a resposta quase sempre é um trágico: “leio de tudo um pouco”.

À primeira vista posso estar parecendo um tanto radical, mas vamos a um exemplo: o 7 é um número sagrado, entre outras coisas, porque representa as 7 entradas do espírito: 2 olhos, 2 narinas, 2 ouvidos e 1 boca. Logo, o que entra por uma dessas portas, atinge diretamente o espírito. Seguindo: se pergunto “O que você gosta de comer?”, alguns até podem responder: “Como de tudo, exceto isso, aquilo e aquele outro”. O que demonstra algum tipo de filtro, porque ao se comer realmente de tudo, você pode comer algo que não lhe faça bem. É preciso ser mais claro?

Agora, quando se diz: “Leio de tudo...”, muitas vezes alimentamos o espírito com o que não se deve, indo de receitas da Dona Benta à Bíblia Satânica. Voltamos ao princípio: “Não ler, mas escolher”.
Faça a si mesmo essa pergunta: “Se não como porcaria, porque leio porcaria?” Um estudo teórico com qualidade, pode ser fonte de profundas reflexões e conclusões, quase tão profundas e válidas como pelo processo prático.

 Às vezes nos deparamos com teorias fantásticas, mas sem aplicabilidade nenhuma. Dê preferência a teorias que você mesmo possa verificar de forma prática.

As Anotações 
“Lectionem sine calamo temporis perditionem puta” 
“Leitura sem caneta reputa perda de tempo”

Tudo deve ser anotado. Se algo chamou sua atenção ou não ficou muito claro, anote. Se foi importante, será uma ótima referência futura. Se ficaram dúvidas, podem ser esclarecidas mais tarde.

O que deve ser anotado?
- Resumos das idéias mais importantes ou úteis
- Frases expressivas, literalmente e com precisão
- Idéias pessoais suscitadas pela leitura.

Como deve ser anotado?
- use os 4 c´s: curtas, claras, corretas, completas.
Essas regras baseiam-se exclusivamente num estudo teórico, baseado em material escrito. Para outros métodos, deve-se adequar essas regras. O estudo teórico da Magia é a base para uma boa prática. É comum ver pessoas que menosprezam o estudo teórico como se essa classe de estudante fosse possuidora de alguma deformidade espiritual. Tentamos aqui explicar os métodos do estudo teórico e não criticá-lo.

Memorização 
A interpretação simbólica se dá pelos símbolos que são elementos criados pelo homem para expressar algo superior a ele mesmo, aquilo que pertence à ordem transcendental. Porém, aquele que baseia seu estudo apenas pelo estudo dos mitos e símbolos, afasta-se da verdade.

A psicologia e a psicanálise limitaram os símbolos tradicionais como expressões do inconsciente ou do subconsciente, entendendo-se subconsciente como o conjunto dos prolongamentos do inconsciente. Atribuir símbolos tradicionais ao subconsciente é demonstrar a falta de conhecimento da estrutura da mente humana. O supraconsciente é o contato direto com aquilo que denominamos por tradição. Já o subconsciente é o reflexo “macaqueado” do supraconsciente, uma vez que não há aí uma compreensão desses símbolos. Para explicar da melhor forma possível essa distinção entre o supraconsciente e o subconsciente iremos usar o mito egípcio de Thoth-Hermes que sempre era acompanhado de seu babuíno.

Segundo o mito egípcio, o deus Thoth-Hermes era acompanhado por um babuíno, que fazia o contato entre a divindade e o homem. Thoth era o juiz dos deuses, o inventor da escrita e da magia. O deus representava o contato humano-divindade no seu aspecto mais amplo. Já o babuíno cumpria uma função luciferiana de fazer com que o homem perdesse ou esquecesse de sua origem divina. 

Explicamos: Na lenda que nos remete à invenção do Tarot e da Escrita (essa lenda justifica ambas criações), diz-se que “os deuses estavam muito preocupados naqueles tempos, pois o homem não lembrava mais qual era a sua origem. Não lembrava mais do seu período celeste, enquanto o tempo e o mundo ainda não existiam como se conhece hoje. Logo, os deuses reuniram-se, buscando uma solução para esse problema, quando o deus Thoth sugeriu que, uma vez que o ser humano esquece de tudo, mas não esquece do próprio vício ou de cometer erros, que então se preservasse essa sabedoria em um vício.

A idéia teve aceitação geral e então os deuses criaram um jogo de lâminas em que toda sabedoria estava contida, preservada. Por elas passariam milhares de olhos que ignorariam seu real significado, mas em compensação, abririam-se essas para aquele que estivesse de posse da sabedoria necessária para conhecer seu significado. Como está escrito na Bíblia: “Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, que veja e que ouça...”.  Assim, nascia o Tarot. Todo o simbolismo mágico de origem celeste, preservado em um maço de 78 lâminas, que traz em si mesmo, a semente do mortal e do imortal, da virtude e do vício. Esse é o Tarot.”

Vamos ao que interessa. Segundo alguns estudiosos do oculto a grande obra luciferiana seria condenar o homem ao esquecimento de sua origem divina. Thoth-Hermes representava o contato direto do homem com a divindade, e o babuíno cumpria a função do esquecimento dessa mesma divindade. Pelos relatos conhecidos, muitas vezes o deus não se comunicava diretamente com o homem, e para isso usava o babuíno, que ao transmitir a mensagem fazia de forma distorcida, no intuito de confundir o homem. Usando essa relação mitológica podemos explicar o funcionamento do supraconsciente e do subconsciente. Quando falamos de simbolismo e de magia, nos referimos ao supraconsciente, que seria esse contato com a divindade, de natureza solar. O que os psicólogos em geral definem como subconsciente refere-se à natureza lunar do babuíno de apenas repetir algo sem julgar seu significado.

Para se chegar à compreensão completa de um símbolo (se é que isso é possível) é necessário que o estudante possua determinadas qualidades sem as quais ele jamais poderá compreender a profundidade de seu significado. O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.

A primeira é a simpatia. Não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão. Entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.”

A Magia Prática
A Magia prática é talvez o meio mais difícil de se estudar magia, pois ele não exclui o estudo teórico, mas inclui o mesmo na sua razão de ser. A Magia prática pura, atualmente é extremamente rara e muito difícil de ser encontrada. Sua compreensão baseia-se numa visão mágica do mundo. Ao contrário do que se pode pensar num primeiro momento, não é uma visão anímica do mundo, como poderia definir Freud, mas a compreensão que o universo como um todo pulsa e transpira vida, mesmo na morte. Os magos antigos tentaram explicar essa percepção através da criação de mitos, e enganam-se aqueles que nisso tem uma percepção rasa que eles significariam energias da natureza. Conceitos puros de um universo vivo são abstratos demais no entanto, sendo necessário vestí-los com uma roupagem mais facilmente aceita por nossa mente objetiva. Os mitos verdadeiros (aqueles que são fruto de uma percepção do espírito) são universais e aqui utilizamos um texto do Ir. Marcelo Motta, que acreditamos sintetizar aquilo que é necessário saber sobre o estudo dos símbolos aplicáveis em qualquer época ou nacionalidade, transcendendo portanto o tempo e o espaço.

"Um grande número de pessoas confunde esse estudo dos símbolos com a prática mágica. Podemos exemplificar isso com a esmagadora maioria dos astrólogos da atualidade. Normalmente são estudiosos fascinados pelo autoconhecimento, tentando desvendar a alma por seus símbolos, mas nunca a viram de frente. Debruçados sobre livros com páginas amareladas pelo tempo, jamais olham para o céu. Muitos são capazes de olhar para o céu na tela de um computador, mas nunca ao ar livre, com medo de serem esmagados pelas estrelas. Aos estudiosos de astrologia que porventura se sentirem ofendidos pelo exposto acima, antes de condenarem o autor do ensaio, respondam a si mesmos:

a) Alguma vez já tentei observar o movimento das estrelas durante seu curso pela abóbada noturna e consegui identificar pelo menos um planeta?
b) Sou capaz de identificar as fases da lua sem recorrer a uma efeméride ou a um calendário?
c) Qual é o signo que ascende no horizonte exatamente neste momento? (Olhando para o horizonte sem qualquer instrumento).
d) Sou capaz de identificar a constelação do meu signo solar?
e) Quanto tempo passei no último ano olhando a dança dos astros?

A lista segue...

Se você respondeu negativamente a mais de uma pergunta, você é um astrólogo de gabinete, um teórico. Não vamos nos deixar enganar e dizer que a teoria não tem validade, porque tem. E muita. Veja o texto mais acima, de como estudar a teoria. O que devemos perceber é que muitas pessoas confundem a teoria com a prática. Isso deve ser mudado. Babuínos de Thoth, reverenciam o sol esquecendo-se de si mesmos. Qual é o ritmo de sua dança? Muitos se entregam aos braços de um deus morto que sequer pode abraçá-los. Morto como seus seguidores, pelos quais já não pode fazer mais nada. Como então desenvolver a prática da Magia?

A prática da Magia pode ser entendida como a observação da natureza. Não quero que isso seja entendido como é atualmente, que a magia da natureza é sair por aí abraçando árvores e pisando descalço na grama. O processo todo demanda num longo processo de observação das coisas da natureza:

- Plantas - Suas cores, seu crescimento, a energia que delas emana, etc.
- Astros - As estrelas, planetas, seu movimento e sua influência.
- Animais - Reprodução, crescimento, grupos, etc.

 Enfim, a magia é o conhecimento do universo que nos rodeia."

Se a Prática da Magia é o conhecimento da natureza, qual a necessidade dos rituais? Os rituais existem devido ao esquecimento das coisas divinas conforme descrito acima. Os rituais são fórmulas dramatizadas que tem como objetivo demonstrar um conhecimento de determinada natureza. O ritual em si, não tenta falar direto ao consciente, mas diretamente ao espírito ou supraconsciente. É muito comum aos rituais irem do sublime ao absurdo num piscar de olhos. Isso acontece porque o ritual precisa burlar as armadilhas do consciente e da razão para atingir diretamente o espírito. Qual a necessidade de burlar o racional? A mente racional bloqueia diretamente todas as manifestações do espírito, e no caso do estudo mágico este é exatamente o objetivo, contatar o espírito diretamente. Quanto mais próximo de uma verdade está um ritual, mais eficaz ele será. Não importa aqui a sofisticação ou simplicidade, desde que ele esteja próximo da verdade que deseja representar. Os rituais que se aproximam da natureza ou feitos ao ar livre, normalmente têm uma eficácia muito grande. Mas, cuidado. Ficar dançando em volta de um caldeirão só traz como resultado tontura. Hoje em dia o que não faltam são pseudo xamãs e pseudo druidas, que na verdade são um arremedo dos originais. É preciso muito cuidado antes de se unir a um grupo desses.

Conclusão

A finalidade da Magia é pessoal, única e exclusiva pra cada ser. Conforme foi dito no início do texto, ele não é definitivo nem tampouco verdadeiro, mas serve como uma lâmpada guia na escuridão que marca o caminho das Ciências Ocultas. Não pretendemos dizer que esta ou aquela organização ou pessoa seja o “verdadeiro” mestre, mas auxiliar o estudante na tentativa de encontrar um grupo onde possa realmente se desenvolver sem ter que se preocupar onde estão levando sua alma. O melhor guia na Magia Teórica e na Magia Prática é o bom-senso.

Khabs Am Pekht

quarta-feira, 20 de maio de 2015

ACASO x DETERMINISMO

Analise esta reflexão!


Tudo que observamos e que se desenvolve encontra-se em evolução, não nos termos postos por Darwin onde o acaso ocorre como possibilidade de sobrevivência, mas uma evolução onde nada é por acaso. Vivemos num cosmos onde tudo é organizado e de cuja organização depende o fluxo normal para tudo. Mesmo a lei das probabilidades comprova a existência de uma regra para o acaso, visto que todas as casualidades se equilibram ao longo do tempo. Devemos decidir se aceitamos um cosmos sujeito a um conjunto de leis ou se aceitamos o caos regido pelo acaso, pois as duas opções se antagonizam, e não pode haver um cosmos sujeito ao acaso. Já que somos dotados de um conhecimento baseado na observação e na experiência, temos elementos suficientes para aceitar o cosmos e abolir o acaso de nosso raciocínio.

Tudo no universo e toda a criação seguem a lógica de evolução, e o homem, enquanto parte desse todo, deve obedecer às leis desse desenvolvimento, já que o todo só pode evoluir quando cada uma de suas partes integrantes o fizer. A tarefa do homem é, portanto, evoluir. Mas a evolução não acontece por si só, ela é o resultado de um conflito energético, é o resultado de um processo de aprendizado. Para aprender, o homem precisa de um problema que permita tentar e errar, a fim de poder se aproximar de uma solução. Quando se resolve a questão e aprende-se a lidar com ela, aí a evolução se concretiza. Os problemas enfrentados são em verdade tarefas para se aprender, não algo negativo, mas subsídio para autoconhecimento, aperfeiçoamento e evolução.

O homem pode aprender a realidade da evolução baseada no cosmos de forma ativa ou passiva. A forma ativa ocorre quando enfrenta o problema com disposição e como um convite à compreensão, ao aprendizado, para atingir uma etapa seguinte da própria evolução. Ocorre que a minoria aprende dessa maneira. O comum é acumular e reprimir problemas ao invés de tentar solucioná-los. Aí se desenvolverá um desejo de realização inconsciente, que manipulará o consciente e o aprendizado se dará de forma passiva com aquilo que não se soube lidar ativamente. O aprendizado passivo está sempre ligado ao sofrimento que se nomina infortúnio, doença ou acidente. Nessas situações as pessoas praguejam, sentem-se injustiçadas e põe a culpa no acaso ou nos outros. Mas a culpa está em si, é sempre daquele que sofre, pois lhe faltou vontade, teve chance de escolher e fez escolhas piores, optou entre aprender ativamente ou passivamente.


domingo, 27 de abril de 2014

INSTRUÇÃO IX
Lei II - Doação
LEI DA DOAÇÃO
“O universo opera através de trocas dinâmicas...
dar e receber são diferentes aspectos do fluxo
da energia universal.

Em nossa própria capacidade de dar aquilo que
almejamos encontra-se a chave para atrair a abundância
do universo, fluxo da energia universal para nossa vida”.


Guardião do Solo Sagrado (*) – Irmãos: vamos ministrar a segunda instrução de Postulante de nossa Ordem; Guardião da Luz, qual é a segunda lei espiritual do sucesso?

Guardião da Luz – É a Lei da Doação. Essa lei poderia ser denominada Lei do dar e receber, porque o universo opera através de trocas dinâmicas. Nada é estático. Nosso corpo está em intercâmbio dinâmico e constante com o corpo do universo. Nossa mente está interagindo constantemente com a mente do cosmos. Nossa energia é expressão da energia cósmica.

Guardião do Solo Sagrado – Significa dizer que nossas vidas são a interação de todos os elementos que estruturam o universo?

Guardião da Luz – Sim, nossas vidas nada mais são do que a interação harmoniosa de todos os elementos e de todas as forças que estruturam o campo da existência. Essa interação harmoniosa opera pela Lei da Doação. Como o corpo e a mente humana estão em interação constante e dinâmica com o universo, qualquer interrupção nessa circulação de energia significa o mesmo que cessar o fluxo de sangue nos animais, cessar a circulação da seiva nos vegetais.

Guardião do Solo Sagrado – Esse fluxo explica a necessidade de dar e receber, de acordo com a segunda lei, Guardião dos Portais?

Guardião dos Portais – Sim, a troca, traduzida por dar e receber, mantém a saúde e a afluência de tudo que necessitamos circulando em nossas vidas. A palavra “afluência” significa correr para, convergir; tem o sentido de corrente abundante, de fartura, abundância de dinheiro e de saúde.

Guardião do Solo Sagrado – O dinheiro significa uma energia universal?

Guardião dos Portais – O dinheiro é na verdade um símbolo de energia vital que trocamos e da energia vital que utilizamos como conseqüência dos serviços que prestamos ao universo. Dinheiro é também chamado de “moeda corrente”, expressão que reflete o fluxo natural de energia. Corrente vem do Latin “currere” que significa correr, fluir. Se interrompermos a circulação de dinheiro, se nossa única intenção é segurar dinheiro e acumulá-lo, interrompemos sua circulação em nossa vida, uma vez que ele é energia vital. Para que essa energia continue voltando para nós, temos que mantê-la circulando. Como as águas de um rio, o dinheiro tem que fluir para não estagnar, para não sufocar essa energia vital. A circulação o mantém saudável e energizado.

Guardião do Solo Sagrado – Como o dinheiro, também a saúde, o amor, e todos os relacionamentos em nossa vida, dependem de dar para receber, Guardião do Tesouro?

Guardião do Tesouro – Da mesma forma. Todo relacionamento e todo bem que podemos desfrutar dependem de dar para receber. Dar engendra receber, e receber engendra dar. O que sobe tem de descer. O que sai tem de voltar. Na realidade, receber é o mesmo que dar, porque dar e receber são aspectos diferentes do mesmo fluxo da energia universal, e se interrompemos o fluxo de um ou do outro, há interferência na inteligência da natureza.

Guardião do Solo Sagrado – Entendemos então que não circular essas energias através da Lei da Doação significa não evoluir?

Guardião do Tesouro – Toda semente traz em si a promessa de muitas florestas. Mas a semente não pode ser guardada, pois ela precisa doar sua intrínseca capacidade de gerar ao solo fértil. Ao doar-se, seu fluxo vital invisível manifesta-se materialmente. Assim quanto mais damos, mais recebemos porque mantemos a abundância do universo circulando em nossas vidas.

Guardião do Solo Sagrado – Guardião dos Livros, para obtermos o que precisamos, o que buscamos, há necessidade da prática da doação?

Guardião dos Livros – De fato, e com intensa convicção. Tudo o que há de valioso na vida só se multiplica quando é dado. Aquilo que não se multiplica pela doação não tem valor, nem compensa ser recebido. Se, no ato de dar, você acha que está perdendo alguma coisa, aquele presente não foi realmente dado, não acrescentou nada a quem deu nem a quem recebeu. Se dermos de má vontade, não há energia por trás do nosso ato. O mais importante é a intenção que há por trás de dar e receber. A intenção deve ser a de provocar sempre alegria em quem dá e em quem recebe, porque a felicidade é sustentadora e provedora de vida. O retorno é diretamente proporcional ao volume doado, quando é feito de forma incondicional e sincera. Por esse motivo o ato de dar tem que ser prazeroso. A intenção por trás deste ato deve ser a do prazer de simplesmente dar. Só então a energia acumulada no ato de dar multiplica-se muitas vezes.

Guardião do Solo Sagrado – Como deveremos agir para aplicar a Lei da Doação?

Guardião dos Livros – Praticar a Lei da Doação é muito simples. Se quisermos alegria, devemos dar alegria aos outros. Se desejarmos amor, aprendamos a dar amor. Se procuramos atenção e apreço, aprendamos a dar atenção e apreço. Se quisermos bens materiais, ajudemos os outros a se tornarem ricos. A maneira mais fácil de obtermos o que desejamos é ajudar os outros a conseguirem o que querem. Este princípio se aplica igualmente a pessoas, empresas, sociedades e países. Se almejarmos sermos abençoados com todas as coisas boas da vida, devemos aprender a abençoar silenciosamente a todos com as coisas boas da vida.

Guardião do Solo Sagrado – Então o doar não se restringe a coisas materiais, Guardião dos Portais?

Guardião dos Portais – Realmente, doar é muito mais abrangente. A mera idéia de dar, de abençoar, de oferecer uma simples oração, tem o poder de afetar a vida dos outros. Isso acontece ao nosso corpo, em seu estado essencial, é um feixe de energia localizada e de informação num universo de energia e informação. Somos feixes de consciência localizada num universo consciente. A palavra “consciente” implica mais do que energia e informação; implica em energia e informação tão vivas quanto o pensamento. Por isso somos feixes de pensamentos num universo pensante. E o pensamento tem o poder de transformar.

Guardião do Solo Sagrado – Tem então nossa vida, e nossa alma, correspondência com universo?

Guardião dos Portais – Sim, como nos futuros estudos que faremos de Hermes o Trismegistro, a vida é a eterna dança da consciência expressando-se na troca dinâmica de impulsos inteligentes entre o microcosmo e o macrocosmo, entre o corpo humano e o corpo universal, entre a mente humana e a mente cósmica. Quando sabemos dar aquilo que procuramos, estamos ativando e coreografando a dança com movimentos energéticos e vitais que constituem a eterna pulsação da vida.

Guardião do Solo Sagrado – Guardião do Tesouro, qual então a melhor maneira de aplicarmos a Lei da Doação?

Guardião do Tesouro – A melhor forma de aplicá-la, de começar o processo de circulação de energia, é decidir que a qualquer momento vamos entrar em contato com outra pessoa dando a ela alguma coisa. Não é preciso que sejam coisas materiais; pode ser uma flor, um elogio, uma oração. Na verdade, as formas mais poderosas de dar são imateriais. As dádivas de carinho, atenção, afeto, apreço, amor são as mais preciosas e não custam nada. Quando encontramos alguém ofereçamos-lhe uma benção silenciosa, desejemos-lhe felicidade, contentamento, alegrias. Esses presentes silenciosos são poderosos. Nunca deixe de levar alguma coisa, por mais simples que seja, quando visitar alguém. Se não temos posse, se nada temos de material, podemos sempre ofertar uma flor, um cartão, levar um elogio e até uma oração. O importante é tomar a decisão de dar sempre, em todo lugar e a quem for. Enquanto damos, estamos recebendo. Quanto mais damos, mais cresce nossa confiança nos efeitos milagrosos desta Lei. Quanto mais recebemos, mais cresce nossa capacidade de dar.

Guardião do Solo Sagrado – Meus Irmãos, nossa verdadeira natureza é a da riqueza e abundância. Somos naturalmente ricos porque a natureza supre todas as nossas necessidades e sustenta todos os nossos desejos. Nada nos falta porque nossa natureza essencial é a potencialidade pura e das possibilidades infinitas. Devemos saber que já somos inerentemente ricos. Pouco importa quanto temos de dinheiro porque a fonte da riqueza é o campo da potencialidade pura, é a consciência que sabe como satisfazer qualquer nossa necessidade como alegria, amor, paz, harmonia e conhecimento. Se buscarmos antes essas coisas, não só para nós mesmos, mas para os outros também, tudo mais virá a nosso encontro espontaneamente. Esta é a Lei da Doação.

Guardião do Solo Sagrado (*) – Irmãos, devemos agradecer por estarmos juntos nesta oportunidade de iluminação, e cumprir nossa obrigação de assimilarmos esses ensinamentos e divulgá-los à humanidade!


TODOS – Amém!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

AS 7 LEIS ESPIRITUAIS DO SUCESSO

“A fonte de toda a Criação é a conscientização pura...
a potencialidade pura que busca expressar-se do
não manifesto ao manifesto...

E quando descobrimos que nosso verdadeiro
Eu é potencialidade pura, alinhamo-nos
à  força que coordena tudo no universo”.




INSTRUÇÃO VIII
Lei I - Potencialidade Pura 

Guardião do Solo Sagrado (*) – Irmãos: vamos ministrar a primeira instrução de Postulante de nossa Ordem; Guardião dos Portais, qual a primeira lei espiritual do sucesso?

Guardião dos Portais – É a Lei da Potencialidade Pura, uma lei que se apóia no fato de que somos, essencialmente, Consciência Pura. É o campo de todas as possibilidades e da criatividade infinita. Consciência pura é a nossa essência espiritual. Ser infinito e ilimitado

Guardião do Solo Sagrado – Quais são os outros atributos da conscientização da nossa essência espiritual?

Guardião dos Portais – O conhecimento puro, o silêncio infinito, o equilíbrio perfeito, a invencibilidade, a simplicidade e a felicidade. Esses são os atributos de nossa essência, que é potencialidade pura.

Guardião do Solo Sagrado – Como se traduz nossa natureza essencial?

Guardião dos Portais – Se descobre quem realmente somos quando se encontra a potencialidade de nossa existência, pois aí está nossa natureza essencial. É no conhecer-se que reside a capacidade de realização de todos os sonhos, porque você mesmo representa a possibilidade eterna, a imensurável potencialidade de tudo o que foi e poderá vir a ser.

Guardião do Solo Sagrado – A nossa essência deve procurar as forças externas do universo para que nossas potencialidades sejam ativadas, Guardião da Luz?

Guardião da Luz – Não, a Lei da Potencialidade Pura também poderia ser chamada de Lei da Unidade, pois sob a diversidade infinita da vida encontra-se a unidade do espírito da pessoa. Não existe separação entre a pessoa humana e o campo de energia do universo. O campo da potencialidade pura é o próprio Eu, e quanto mais se busca a sua verdadeira natureza, o próprio Eu, mais se aproxima do campo da potencialidade pura, mais entendemos que somos parte da Inteligência Universal.

Guardião do Solo Sagrado – Como sintonizar a realidade universal de nossa essência?

Guardião da Luz– Na experiência do Eu, chamada auto-referência. Nosso ponto de referência interior é o espírito e não aquilo que nos rodeia. O seu oposto é o objeto-referência, cujo ponto de referencia interior é o Ego. Na vida, nossas experiências são muitas vezes calcadas nessa realidade, no objeto-referência, e nos deixamos influenciar pelo que acontece fora de nossa natureza interior; influenciamo-nos pelas situações, circunstâncias, pessoas, coisas. Nessa postura, buscamos incessantemente a aprovação dos outros. Nossos pensamentos e comportamentos antecipam-se a toda resposta porque se fundamentam no sentimento do medo.

Guardião do Solo Sagrado – Detalhe mais nosso comportamento relacionado ao objeto referência!

Guardião da Luz – No objeto-referência, nossa tendência é querer controlar as coisas, ter necessidade do poder externo. Toda a atitude baseada na necessidade de aprovação, de poder externo, de controle das coisas está baseada no medo. Esse tipo de força não é a potencialidade pura, o poder do Eu, o poder real. Se experimentarmos o poder do Eu, não há medo, não há compulsão para o controle, não há esforço para obter aprovação ou para conseguir o poder externo. No estado de objeto-referência o Ego está em primeiro lugar, mas ele não expressa o que realmente somos. O Ego reflete apenas nossa auto-imagem, a máscara social, o papel que representamos. A máscara social necessita de aprovação, de controle, de apoio no poder porque vive com medo.

Guardião do Solo Sagrado – Seria a Alma o nosso verdadeiro Eu, Guardião dos Livros?

Guardião dos Livros – Sim, nosso verdadeiro Eu é a alma que está livre das coisas, imune à crítica, que não teme desafios, que não se sente inferior a ninguém, mas que também é humilde. Não se sente superior porque reconhece que todos representamos o mesmo Eu, o mesmo espírito com diferentes faces. Na auto-referencia experimentamos o verdadeiro Eu que não teme desafios, respeita todas as pessoas e não se sente inferior a ninguém; respeita e ama a todos os reinos da natureza. O autopoder é o verdadeiro poder, é embasado em nosso Eu.

Guardião do Solo Sagrado – Responda-me: ter dinheiro, cargos importantes e títulos, que tanto a humanidade busca, luta por toda uma vida terrena, não se constituem então como verdadeiros poderes?

Guardião dos Livros – É tido como poder, mas é assentado no objeto-referência e, portanto, é um falso poder. Por estar fundamentado no Ego, ele existe enquanto existir o objeto de referência. Se tivermos muito dinheiro, um título, um cargo importante – presidente de um país, de uma empresa – esse poder tão apreciado desaparecerá juntamente com o dinheiro, com o título, com o cargo. O poder baseado no Ego, portanto, termina quando acabam essas coisas. Assim que desaparecem, seja o título, o cargo, o dinheiro, o poder também desaparece.

Guardião do Solo Sagrado – E o poder embasado no Eu, que tipo de poder é esse que podemos desfrutar?

Guardião dos Livros – É o autopoder, é diferente, é permanente porque está fundamentado no conhecimento do Eu. O autopoder tem características próprias, pois ele atrai não só as coisas que desejamos como as pessoas que possam nos interessar. Magnetiza as pessoas, as situações e as circunstâncias que alimentam nossos sonhos apoiando-se nas leis naturais. É também o suporte da divindade que se encontra num ser em estado de graça. É tão intenso esse poder que se encontra prazer em se ligar às pessoas e elas a você. É o poder do vínculo originado do amor verdadeiro.

Guardião do Solo Sagrado – Como é possível aplicar a Lei da Potencialidade Pura, o campo de todas as possibilidades, em nossa vida rotineira, Guardião do Tesouro?

Guardião do Tesouro – Se desejamos desfrutar os benefícios da potencialidade pura, se queremos fazer pleno uso da criatividade, que é inerente à consciência pura, à Consciência Cósmica, precisamos ter acesso a ela. Deve-se diariamente praticar QUATRO DISPOSIÇÕES que exigem determinação e disciplina: 1)se entregar a momentos de silêncio, 2)praticar a meditação, 3)evitar julgamentos e 4)ter, de alguma forma, contato com a natureza. Com essas quatro disposições caminha-se para infinita criatividade, imensa liberdade e intensa felicidade.

Guardião do Solo Sagrado – O que significa praticar o silêncio?

Guardião do Tesouro – Praticar o silêncio significa assumir o compromisso de reservar certa quantidade de tempo para simplesmente ser. Experimentar o silêncio significa afastarmo-nos periodicamente da atividade da fala, das comunicações do mundo racional. Significa afastarmo-nos por momentos de assistir à televisão, ouvir um rádio, uma música, de ler um livro; significa desligar os pensamentos, afastar o turbulento diálogo interior. Podemos começar com alguns minutos, sempre diariamente, estendendo o período na medida de nosso preparo, de nossa possibilidade. Devemos assumir o compromisso de manter o silêncio durante certo período, diariamente, onde pudermos. Pode ser em nosso escritório, longe das pessoas, num cômodo qualquer, num parque, em qualquer lugar, por poucos momentos que seja, um momento só nosso onde nos encontraremos conosco, sem pensamentos. Devemos tentar aumentar esse tempo sempre que possível, experimentar o silêncio por um tempo cada vez maior até chegarmos a um dia inteiro.

Guardião do Solo Sagrado – O que acontece quando se entra nessa experiência do Silencio, Guardião dos Portais?

Guardião dos Portais – No início, nosso diálogo interior fica mais turbulento. Sentimos uma necessidade intensa de dizer coisas, pensar coisas. As pessoas ficam totalmente instáveis nos primeiros dias em que se comprometem a estender o período do silêncio. São tomadas por uma sensação de urgência e ansiedade, mas quando persistem na experiência, o diálogo interior começa a se aquietar, e o silêncio logo se torna profundo.

Guardião do Solo Sagrado – Como isso ocorre?

Guardião dos Portais - Isso acontece porque depois de certo tempo a mente desiste. A mente se dá conta de que não adianta dar voltas e voltas se você, o Eu, o Espírito, não vai falar e ponto final! Nesse estado, quando começa a silenciar o diálogo interior, começamos a experimentar a quietude do campo da potencialidade pura.

Guardião do Solo Sagrado – E a prática da meditação, Guardião do Tesouro?

Guardião do Tesouro – A meditação é outra prática a se experimentar a Lei da Potencialidade Pura. Para meditar é necessário primeiro estarmos num estado de silêncio profundo, e em seguida, por meio de mantras, músicas adequadas, palavras de direcionamento, perfumes de poder e respiração positiva, experimentamos juntamente com o silêncio puro a percepção pura, as outras realidades. No campo do silêncio puro está o campo da correlação infinita, correspondência do macrocosmo e o microcosmo, o campo infinito do poder de organização, o supremo terreno da criação onde todas as coisas estão inseparavelmente conectadas a tudo que existe. Na viagem a esse campo, pela meditação agora, é possível introduzir um leve impulso de intenção para que os desejos surjam espontaneamente. É com a meditação que nossas merecidas e dignas aspirações e necessidades são atendidas e concretizadas. Mas a quietude é o primeiro requisito para que os desejos se manifestem. A quietude nos torna receptivos às emanações do plano vibracional de infinita canalização com o Mentalismo do Universo, e a meditação nos transporta aos mais recônditos lugares e planos da existência; a meditação nos põe em contato com as mais altas Inteligências, Seres de Luz da Sabedoria Infinita.

Guardião do Solo Sagrado – Explique por que pelo silêncio e pela meditação, se processa essa conexão?

Guardião do Tesouro – Imaginemos atirando uma pedrinha num lago tranqüilo e observando as ondas que se formam. Momentos depois, quando as ondas cessam, atiramos outra pedra. É exatamente o que fazemos quando entramos no campo do silencio puro, e pela meditação, introduzimos uma intenção. No silêncio, a intenção mais remota espalha ondas sobre o leito da Consciência Universal, que interliga todas as coisas. Mas se não experimentarmos a quietude da consciência, se a mente continuar como um oceano turbulento pode-se jogar uma montanha dentro dela que nem vai notar. Na Bíblia Cristã há uma frase que diz: “Fique em silêncio, sinta a Minha presença e saiba que eu sou Deus”. Isso só se consegue com a meditação, preparada pelo silêncio.

Guardião do Solo Sagrado – E o não julgamento, Guardião da Luz?

Guardião da Luz – Outra condição para acessar o campo da potencialidade pura é o não julgamento. Julgar é estar constantemente avaliando as coisas como certas ou erradas, boas ou más. Se estivermos constantemente avaliando, classificando, rotulando, analisando, criamos muita turbulência no diálogo interior. Essa turbulência restringe o fluxo de energia entre nós e o campo da potencialidade pura, diminuindo os espaços vazios entre os pensamentos, espaços esses que nos ligam ao campo da potencialidade, da criatividade, da realização, do poder verdadeiro. Diminuir esses espaços restringe a conexão com o campo da potencialidade pura e da criatividade infinita.

Guardião do Solo Sagrado – Há uma curta oração que devemos repetir todos os dias antes de sairmos de nosso leito, ao acordarmos de nosso repouso diário: “Hoje e sempre, não julgarei nada que aconteça!”.

Guardião da Luz – Exatamente, o não julgamento cria o silêncio na mente, e devemos durante todo o dia nos lembrar dessa frase sempre que nos flagrarmos julgando alguma coisa ou alguém: “Hoje e sempre, não julgarei nada que aconteça!” É difícil essa prática, mas o compromisso de praticá-la, não julgar o tempo todo, tornará esse comportamento um traço de nossa personalidade.

Guardião do Solo Sagrado – E a quarta disposição, o contato direto com a natureza, explique-nos Guardião dos Livros?

Guardião dos Livros – O contato direto com a natureza, seja num riacho, numa floresta, numa montanha, num lago, numa praia, no toque a uma pequena árvore em seu quintal, em sua rua, no cuidado ou na contemplação a uma planta em casa, num vaso, numa floreira, é comunhão com as essências de tudo que há que se sintoniza com a nossa. Essa comunhão com a natureza levará a uma interação harmoniosa de nossa essência com todos os elementos das forças vitais fortalecendo a união com todas as expressões vivas da natureza. É pura magia, encantamento e mistério. Nossa verdadeira essência acessada nos dá uma pista sobre todos nossos relacionamentos porque, na verdade, todo relacionamento é reflexo do relacionamento que temos conosco mesmo. Se ofendermos, se imolarmos qualquer ser do reino animal, ou do reino vegetal, ou do reino mineral, pelo fato de estarmos todos interligados numa mesma essência, na mesma energia universal, estaremos imolando a nós mesmos, a parte de nós. Se nos sintonizarmos a todos os reinos, donde fazemos parte espiritual, e especificamente como seres biológicos que somos dentro do reino animal, e se compartilharmos o amor entre nós, dentre todos os reinos, se nos ampararmos a todos indistintamente em nossas necessidades, estaremos virtuosamente nos amparando na matéria e na alma.

Guardião do Solo Sagrado – Por que a humanidade vive às voltas com o medo, com a insegurança, com as doenças, com a pobreza?

Guardião dos Livros – Irmãos, se sentirmos culpa, medo, insegurança em relação ao dinheiro, ao sucesso, à saúde, ao que seja, isso é reflexo de aspectos básicos de nossa personalidade, aspectos de culpa, medo e insegurança. Pode ser algo registrado em nosso subconsciente advindo de experiências passadas desde nosso nascimento, ou de outras encarnações. Nenhuma quantia de dinheiro, de sucesso, vitórias na saúde, ou o que seja, resolverá problemas básicos da vida se não estivermos conectados à nossa essência universal, nossa alma, nossa inteligência eterna. Somente a intimidade com nosso verdadeiro Eu permitirá superar todos os problemas. Quando conhecemos nosso verdadeiro Eu, particular em nosso íntimo, amplo com a natureza, com o Universo, compreendendo realmente a sua verdadeira essência, não sentimos culpa, não nos sentimos vítimas, não temos insegurança, seja em relação ao dinheiro, abundância, saúde, e estaremos sintonizando a energia necessária para todas as realizações dos desejos. Sabemos que a essência de todos os bens materiais é energia vital, é potencialidade pura, e essa potencialidade é nossa natureza.

Guardião do Solo Sagrado – Suas considerações finais, Guardião dos Portais.

Guardião dos Portais – O que tenho a dizer é que passamos a entender que quanto mais acessamos nossa verdadeira natureza, mais espontaneamente aparecem os pensamentos criativos e as soluções de nossas demandas. Estaremos sintonizados com o campo da criatividade infinita e do conhecimento puro. Cito Franz Kafka, filósofo e poeta austríaco que disse: “Você não precisa sair de seu quarto. Fique quieto, sentado, deitado e simplesmente ouça. Não precisa nem ouvir, simplesmente espere. Não precisa nem esperar, aprenda somente a ficar quieto, silencioso, solitário. O mundo se oferecerá espontaneamente a você para ser descoberto, ele não tem outra escolha senão jogar-se em êxtase a seus pés”.

Guardião do Solo Sagrado – Suas considerações finais, Guardião da Luz.

Guardião da Luz – Aprendemos que necessitamos superar a turbulência do nosso diálogo interior e entrar em contato com o abundante, pródigo e infinito poder. Aprendemos que pela meditação criaremos uma atividade dinâmica que terá consigo a quietude da mente eterna, ilimitada e criativa. Essa requintada combinação de mente silenciosa, ilimitada e infinita, com mente dinâmica, limitada e individual, estabelece o equilíbrio perfeito entre quietude e movimento simultâneos, o equilíbrio criador de tudo o que quisermos. A coexistência dos opostos, quietude e dinamismo, torna-nos independente das situações, das circunstâncias, das pessoas, das coisas. Quando compreendemos a requintada coexistência dos opostos, entramos em alinhamento com o mundo da energia, o caldo quântico, a substância imaterial que é fonte do mundo material. O mundo da energia é fluente, é dinâmico, é elástico, mutável, eterno movimento, e é ao mesmo tempo imutável, quieto, tranqüilo, silencioso, eterno repouso.


Guardião do Solo Sagrado – Meus Irmãos, aprendemos que a quietude por si só é o potencial da criatividade. O movimento por si só é a criatividade restrita a certos aspectos da sua expressão. A combinação do movimento com a quietude capacita-nos a desencadear a criatividade em todas as direções, até onde o poder de nossa atenção possa nos levar. Se a quietude acompanha sempre o movimento e a atividade, seja qual for a direção que seguirmos, o movimento caótico ao nosso redor não poderá impedir nosso acesso ao reservatório da criatividade, ao campo da potencialidade pura. Esta é a Lei da Potencialidade Pura.

Guardião do Solo Sagrado (*) – Irmãos, devemos agradecer por estarmos juntos nesta oportunidade de iluminação, e cumprir nossa obrigação de assimilarmos esses ensinamentos e divulgá-los à humanidade!

TODOS – Amém!


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

PRINCÍPIO DE GÊNERO


"Gênero está em tudo; tudo tem o seu Princípio Masculino e Feminino; o Gênero se manifesta em todos os planos.”


INSTRUÇÃO VII
O sétimo princípio dos ensinamentos herméticos é o Princípio de Gênero, que contém a verdade que há gênero manifestado em tudo, que o Princípio Masculino e o Feminino estão sempre presentes e em ação em todas as fases dos fenômenos e em todos os planos da vida. Gênero no sentido hermético e sexo no sentido biológico não significam a mesma coisa. Gênero é palavra derivada da raiz latina que significa gerar, procriar, produzir. Uma consideração momentânea mostra que a palavra tem um significado mais extenso e mais geral que o termo sexo, que se refere às distinções físicas entre as coisas viventes machos e fêmeas. O sexo é simplesmente uma manifestação de gênero em certo plano do Grande Plano Físico: o plano da vida orgânica. O Princípio de Gênero é criar, produzir, gerar, e suas manifestações são presentes em todos os planos do Universo. Este Princípio está presente nos corpúsculos da matéria, prótons, nêutrons, elétrons e todas subpartículas atômicas, estruturas que giram uns ao redor dos outros e vibram num elevado grau de intensidade. O átomo, por exemplo, é um grupamento de partículas negativas ao redor de um núcleo positivo, uma provada influencia dos corpúsculos negativos sobre os positivos fazendo com que formem combinações diversas e assim cria e gera diferentes átomos, em concordância com os antigos preceitos herméticos que sempre identificaram o Princípio Masculino com o Pólo Positivo, e o Feminino com o Pólo Negativo.

Os termos Positivo e Negativo têm tido um conceito errôneo quando são associados a coisas boas, do bem, e coisas más, do mal, respectivamente. Na verdade são pólos de mesma intensidade, e importância, mas distintos e complementares. O chamado pólo negativo da bateria é realmente onde se manifesta a geração ou produção de energia; nada há de ruim ao redor dele. Costuma-se denominá-lo de Catódio em lugar de negativo. Desse pólo, o Catódio, procede a imensidade de elétrons ou corpúsculos com carga elétrica negativa, geradores de corrente elétrica; dele saem os raios que revolucionaram as mais novas concepções científicas em equipamentos que se aperfeiçoam todo momento. O pólo catódico é a mãe de todos os fenômenos que têm tornados obsoletos os velhos livros, mas não inúteis. Esse pólo é o Princípio Materno dos fenômenos elétricos e das formas mais sutis da matéria.  Por isso devemos evitar o termo negativo e mudarmos para Feminino em todas as considerações herméticas.

Os elétrons são corpúsculos com energia feminina, corpúsculos que ativamente procuram união com corpúsculos masculinos, sendo incitados a isso pelo impulso natural de criar novas formas de matéria e energia. Esta ação forma a base das atividades do mundo químico. As partículas femininas vibram rapidamente sob as influencias da energia masculina resultando no nascimento de um novo átomo, novas moléculas. Essa construção é devido à união de corpúsculos femininos e masculinos, mas quando a união é formada, o átomo torna-se uma coisa separada, tendo certas propriedades, mas não manifestando a propriedade da eletricidade independente das partículas formadoras. O processo de destacamento ou separação dos elétrons femininos é chamado de ionização. Esses corpúsculos são os mais ativos trabalhadores da natureza. Provenientes de suas combinações, suas uniões, se manifestam os fenômenos da luz, do calor, da eletricidade, do magnetismo, da atração, repulsão, afinidade química e outros fenômenos mais. Tudo isso procede da ação do princípio de Gênero no Plano da Energia.

O Princípio Masculino parece ser a de dirigir certa energia inerente para o Princípio Feminino e assim pôr em atividade o processo criativo. Mas o Princípio Feminino é sempre o único que faz a ativa obra criadora, e isto é assim em todos os planos. Cada princípio é incapaz da energia operativa sem o outro.

Podemos afirmar que os dois princípios estão até mesmo nos minerais. Experimentos científicos hoje demonstram um comportamento referido como curioso, para os cientistas mas não para os hermetistas, na formação dos cristais onde foi descoberto algo que corresponde a um comportamento sexual dentro dos minerais. É uma confirmação do milenar Princípio de Gênero do hermetismo. Esse princípio está em ação e manifestação constante no campo da matéria inorgânica e no campo da Energia ou Força. A eletricidade é considerada alguma coisa em que todas as outras formas de energia parecem se dissolver. Há a teoria elétrica do universo, onde tudo está embebido em eletricidade, fonte de manifestação do Gênero. A atração e repulsão dos átomos, a Lei da Gravitação, onde estranha atração há pela qual todas as partículas e corpos de matéria no universo tendem umas para as outras, tudo é manifestação do Princípio de Gênero, que opera na direção de atração da energia masculina para a feminina e vice-versa.

Falaremos um pouco sobre o Gênero Mental. Os estudantes de psicologia que seguiram o modo moderno de pensar a respeito dos fenômenos mentais ficaram surpresos pela existência da dupla idéia mental que se tem manifestado tão fortemente desde a metade do século XIX, donde veio grande número de teorias a respeito da natureza da constituição das duas mentes no ser humano. Thompson J. Hudson em 1893 estabeleceu a teoria das “mentes objetiva e subjetiva”, presentes em cada pessoa, segundo o autor.  Outras teorias sobre “mentes consciente e subconsciente”, “mentes voluntária e involuntária”, “mentes passiva e ativa”, etc., na verdade abordam o princípio oculto da dualidade da mente.

O hermetismo já abordava esse assunto, o estudante de filosofia hermética analisa essas teorias “novas” com distanciamento porque seus estudos mostram que o conhecimento da ciência hermética já em tempos imemoráveis, há milênios, pregava esses ensinamentos. Fica distante das paixões de escolas que defendem tenazmente suas próprias teorias que clamam ter descoberto a verdade. O estudante volta para trás nas páginas da história oculta e, nos primeiros elementos dos preceitos ocultos, encontra referencias à antiga doutrina hermética do Princípio de Gênero no Plano Mental: a manifestação do Gênero Mental. A antiga filosofia já tinha conhecimento dos fenômenos da mente dual. A idéia de Gênero Mental pode ser explicada em poucas palavras aos estudantes de hermetismo que estão familiarizados com as modernas teorias há pouco abordadas. O Princípio Masculino da mente corresponde à chamada Mente Objetiva, Mente Consciente, Mente Voluntária, Mente Ativa; o Princípio Feminino da Mente corresponde à chamada Mente subjetiva, Mente Subconsciente, Mente Involuntária, Mente Passiva. Certamente que os preceitos herméticos não concordam com as diversas teorias modernas sobre a natureza das duas faces da mente; vamos agora considerar os preceitos herméticos sobre o Gênero mental.

Os instrutores herméticos dão as suas instruções a respeito deste assunto fazendo os seus estudantes examinarem a relação da sua consciência a respeito do seu Ego. Os estudantes aprendem a por a sua atenção no Ego que habita em cada um de nós. Cada estudante aprende a ver que sua consciência lhe dá uma primeira relação da existência do seu Ego: a relação é “Eu sou”. A princípio isto parece ser a última palavra da consciência, mas um exame mais profundo descobre que este “Eu sou” pode ser separado ou dividido em duas partes distintas, dois aspectos, os quais, apesar de agirem em uníssono e em conjunto, podem ser separados na consciência.

Apesar de parecer existir um só Ego, um exame cuidadoso e profundo mostra que existe um Ego e um Eu. Estes gêmeos mentais diferem em características e natureza, e um exame das suas naturezas e dos fenômenos de que procedem dará muita luz sobre muitos problemas da influencia mental. Vamos começar com uma consideração sobre o Eu, que é usualmente tomado pelo Ego, até que se investigue os acessos da consciência. Um homem pensa do seu Ego como sendo compostos de certos estados, modos, hábitos, características, etc. Tudo o que faz sobressair a sua personalidade, ou o seu conhecimento de si e dos outros. O homem conhece que estas emoções e sensações mudam, nascem e morrem e que estão sujeitas aos Princípios de Ritmo e Polaridade que as levam de um extremo a outro. Pensa também que o Eu é formado de certos conhecimentos reunidos na mente, formando parte dele mesmo.

O Ego dos homens consiste da sua consciência corpórea e dos seus apetites físicos. Essa consciência sendo presa à sua natureza corpórea, faz com que muitos seres praticamente vivam nela. Muitos homens ainda consideram o seu vestuário como parte do seu Eu, e atualmente parece considerá-lo como parte de si mesmos. Muitos dos que estão presos à idéia do vestuário pessoal afirmam fortemente que a consciência do seu corpo é o seu Eu, o que na verdade é o seu Ego; não podem ter idéia de uma consciência independente do corpo. Sua mente parece-lhes ser praticamente coisa pertencente ao seu corpo. Conforme o homem sobe na escala de consciência, ele se torna capaz de distinguir o seu Eu da  idéia do corpo e de pensar que este é uma coisa pertencente à sua parte mental. Assim poderá identificar inteiramente o Eu com os estados mentais, as emoções, que ele sente existir dentro de si; é capaz de considerar esses estados internos como idênticos a ele mesmo, em vez de serem simplesmente coisas produzidas por uma parte da sua mentalidade: sendo suas, estando nele, mas não sendo ele mesmo; compreende que pode mudar estes estados mentais de emoções por esforço da vontade e que pode do mesmo modo produzir uma emoção ou um estado de uma natureza exatamente oposta, e, contudo, continua a existir o mesmo Eu.

Sendo assim, o estudante de hermetismo é capaz de por essas sensações no não-Eu, no Ego, coleção de curiosidades e embaraços como uma posse de valor. Isto requer muita concentração mental e poderes de análise mental da parte do estudante, porém, mesmo assim a tarefa só é possível aos estudantes avançados. Depois que o processo de por à parte for executado, o estudante poderá estar em posse de uma consciência que pode ser considerada em seus dois aspectos: do Eu e do Ego. O Eu será considerado como coisa mental em que os pensamentos, as idéias, as emoções, as sensações, e outras condições mentais são produzidas. Pode ser considerado como a matriz mental, como o disseram os antigos, capaz de fazer a geração mental. Manifesta-se também na consciência do feminino, com poderes latentes de criação e geração das progênies mentais de todas as espécies e reinos. Sente-se que as suas forças de energia criativa são enormes, contudo, parece ser consciente que ele recebe muitas formas de energias do seu Ego companheiro, ou de outro Ego, quando é capaz de dar existência às criações mentais. Esta consciência traz consigo a realização de uma enorme capacidade para operação mental e habilidade criativa, porém o estudante logo descobre que isto não é tudo o que percebe dentro da sua consciência interior; percebe que existe uma Coisa Mental que é capaz de querer que o Eu Feminino acione na direção de certa linha criativa, e que também é capaz de sustentar e provar a criação mental.

Esta parte sentida dentro não tem habilitações para gerar e criar ativamente, dentro das operações mentais, mas tem o sentimento de consciência de uma facilidade para projetar uma energia do Eu Feminino ao Ego Masculino – um processo de desejo que a criação mental comece e continue. Compreende também que o Eu Feminino é capaz de sustentar e abrigar as operações da criação mental do Ego Masculino. Na mente de cada pessoa existem esses dois aspectos. O Eu representa o princípio feminino de gênero e o Ego representa o masculino. O Eu representa o aspecto da Existência, o Ego o aspecto de Estado. Ambos são semelhantes, porém muito diferentes em um princípio – O Princípio de Correspondência. A tendência do Principio Feminino é sempre receber impressões, ao passo que a tendência do Principio Masculino é sempre dá-las ou exprimi-las. O Principio Feminino tem um campo de operação mais variado que o Principio Masculino. O Principio Feminino dirige a obra da geração de novos pensamentos, conceitos, idéias, incluindo a obra da imaginação. O Principio Masculino se contem na obra da Vontade, nas suas várias fases. As pessoas que prestam uma contínua atenção a um assunto empregam ativamente ambos os princípios mentais: o feminino na obra da ativa geração mental, e a vontade masculina na estimulação e fortificação da porção criativa da mente. A maioria das pessoas emprega pouco o seu Principio Masculino, e contentam-se em viver de acordo com os pensamentos e as idéias insinuadas no Ego pelo Eu de outras mentes.

Os estudantes de fenômenos psíquicos estão cientes dos admiráveis fenômenos classificados sob o título de telepatia, transmissão de pensamentos, influencia mental, sugestão, hipnotismo, dentre outras. Muitos procuraram uma explicação destas várias fases de fenômenos nas teorias de diversos instrutores da mente. Há claramente manifestação de duas fases distintas da atividade mental, mas de acordo com os preceitos herméticos a respeito das vibrações e do gênero mental, compreende-se a chave para a explicação real e antiga da mente. Nos fenômenos de telepatia, vê-se como a energia vibratória do principio masculino é projetada para o principio masculino de outra pessoa, e este toma o pensamento-semente e o desenvolve até a madureza. Pela mesma forma operam a sugestão e hipnotismo. O principio masculino da pessoa dando as sugestões, dirige uma exalação de energia vibratória ou força-vontade também para o principio feminino da outra pessoa, e esta última aceitando-a recebe-a em si mesma e age e pensa de conformidade com ela. Uma idéia assim recolhida na mente de uma pessoa cresce e se desenvolve, e com o tempo é considerada como a melhor produção mental do indivíduo, porquanto em realidade, é como o ovo do cuco colocado no ninho de outra espécie, quando aquele destrói a produção presente e se põe no ninho. O normal é que os princípios masculino e feminino na mente de uma pessoa se coordenem harmoniosamente em conjunção com os princípios de outra pessoa, mas infelizmente, o principio masculino nas pessoas médias é muito lento em agir, a aplicação da força-vontade é muito vagarosa, e a conseqüência é que essas pessoas são quase inteiramente dirigidas pelas mentes e os desejos das outras pessoas, permitindo que façam as suas idéias e os seus desejos. Quão poucas ações ou pensamentos originais são realizados pelas pessoas médias? A maioria das pessoas simples são sombras e ecos de outras que têm vontades ou mentes mais fortes.

Isto acontece porque a pessoa média vive mais na consciência do seu Ego do que na do Eu. Está polarizada seu Principio Feminino da mente, e o Principio Masculino, em que se acha a vontade, é obrigado a ficar inativo e sem emprego. O homem e a mulher fortes manifestam invariavelmente o Principio Masculino da vontade e a sua força materialmente depende desse fato. Em vez de viver das impressões dadas às suas mentes pelos outros, dominam a sua própria mente por sua vontade, obtendo a espécie desejada de imagens mentais, e ainda mais, dominam do mesmo modo as mentes dos outros. As pessoas fortes implantam os seus pensamentos-sementes nas mentes das massas do povo, fazendo prevalecer seus desejos e suas vontades sobre as pessoas. Isto se dá porque as massas do povo são como que criaturas-carneiros, não dando origem a uma idéia própria e não empregando as suas próprias forças de atividade mental.

A manifestação do gênero mental pode ser observada ao nosso redor todos os dias da vida. As pessoas magnéticas são as que podem empregar o principio masculino com o fim de imprimir as suas idéias nos outros. O ator que faz o povo chorar ou rir como quer, o faz empregando este principio. E assim o é sucessivamente o orador, o político, o pregador, o escritor, ou qualquer que tenha a atenção do público. A influência particular exercida por algumas pessoas sobre outras é devida à manifestação do gênero mental, na direção da linha vibratória masculina. Neste principio acha-se oculto o segredo do magnetismo pessoal, da influencia pessoal, da fascinação, assim como o hipnotismo.

Qualquer que seja o costume de fazer detalhes a respeito das muitas formas de fenômenos psíquicos e da ciência mental, colocamos providencialmente na mão do estudante do hermetismo as idéias pelas quais pode instruir-se muito a respeito de cada fase do assunto que o interessar. Com o auxílio do Caibalion pode-se fazer uma livraria oculta, a velha Luz do Egito, iluminando as páginas e os assuntos obscuros. Este é o fim destes estudos, sem a pretensão de expor uma nova filosofia, mas sim fornecer traços de grandes preceitos do mundo antigo, do antigo Egito, que poderá esclarecer as doutrinas de outros, que servirá de Grande Reconciliador das diferentes teorias e doutrinas do presente.