por Frater Goya
Vamos discorrer sobre a finalidade da magia, e nos concentrar em explicar como funciona o processo de aprendizado individual do estudante mágico. Esse estudo individual é dividido em duas fases:
1) Aprendizagem: Assimilação e memorização de informações de base ou elementares da disciplina a ser estudada.
2) Pesquisa: a partir dos dados fundamentais de uma ciência, investigar os dados, criticá-los e criar novas propostas.
O Estudo fundamental da Magia consiste em: leituras, apontamentos e memorização. Mais importante que ler, é saber escolher um bom livro...
Non pas lire, mais élire = não ler, mas escolher
Leitura
É preciso ler com qualidade. Se formos atrás do que os leitores andam lendo, chegaremos à conclusão de que o ocultismo não deve ser realmente levado à sério. A falta de critério na escolha dos livros beira o absurdo. Quando é feita a fatídica pergunta: “O que você gosta de ler?” , a resposta quase sempre é um trágico: “leio de tudo um pouco”.
À primeira vista posso estar parecendo um tanto radical, mas vamos a um exemplo: o 7 é um número sagrado, entre outras coisas, porque representa as 7 entradas do espírito: 2 olhos, 2 narinas, 2 ouvidos e 1 boca. Logo, o que entra por uma dessas portas, atinge diretamente o espírito. Seguindo: se pergunto “O que você gosta de comer?”, alguns até podem responder: “Como de tudo, exceto isso, aquilo e aquele outro”. O que demonstra algum tipo de filtro, porque ao se comer realmente de tudo, você pode comer algo que não lhe faça bem. É preciso ser mais claro?
Agora, quando se diz: “Leio de tudo...”, muitas vezes alimentamos o espírito com o que não se deve, indo de receitas da Dona Benta à Bíblia Satânica. Voltamos ao princípio: “Não ler, mas escolher”.
Faça a si mesmo essa pergunta: “Se não como porcaria, porque leio porcaria?” Um estudo teórico com qualidade, pode ser fonte de profundas reflexões e conclusões, quase tão profundas e válidas como pelo processo prático.
Às vezes nos deparamos com teorias fantásticas, mas sem aplicabilidade nenhuma. Dê preferência a teorias que você mesmo possa verificar de forma prática.
As Anotações
“Lectionem sine calamo temporis perditionem puta”
“Leitura sem caneta reputa perda de tempo”
Tudo deve ser anotado. Se algo chamou sua atenção ou não ficou muito claro, anote. Se foi importante, será uma ótima referência futura. Se ficaram dúvidas, podem ser esclarecidas mais tarde.
O que deve ser anotado?
- Resumos das idéias mais importantes ou úteis
- Frases expressivas, literalmente e com precisão
- Idéias pessoais suscitadas pela leitura.
Como deve ser anotado?
- use os 4 c´s: curtas, claras, corretas, completas.
Essas regras baseiam-se exclusivamente num estudo teórico, baseado em material escrito. Para outros métodos, deve-se adequar essas regras. O estudo teórico da Magia é a base para uma boa prática. É comum ver pessoas que menosprezam o estudo teórico como se essa classe de estudante fosse possuidora de alguma deformidade espiritual. Tentamos aqui explicar os métodos do estudo teórico e não criticá-lo.
Memorização
A interpretação simbólica se dá pelos símbolos que são elementos criados pelo homem para expressar algo superior a ele mesmo, aquilo que pertence à ordem transcendental. Porém, aquele que baseia seu estudo apenas pelo estudo dos mitos e símbolos, afasta-se da verdade.
A psicologia e a psicanálise limitaram os símbolos tradicionais como expressões do inconsciente ou do subconsciente, entendendo-se subconsciente como o conjunto dos prolongamentos do inconsciente. Atribuir símbolos tradicionais ao subconsciente é demonstrar a falta de conhecimento da estrutura da mente humana. O supraconsciente é o contato direto com aquilo que denominamos por tradição. Já o subconsciente é o reflexo “macaqueado” do supraconsciente, uma vez que não há aí uma compreensão desses símbolos. Para explicar da melhor forma possível essa distinção entre o supraconsciente e o subconsciente iremos usar o mito egípcio de Thoth-Hermes que sempre era acompanhado de seu babuíno.
Segundo o mito egípcio, o deus Thoth-Hermes era acompanhado por um babuíno, que fazia o contato entre a divindade e o homem. Thoth era o juiz dos deuses, o inventor da escrita e da magia. O deus representava o contato humano-divindade no seu aspecto mais amplo. Já o babuíno cumpria uma função luciferiana de fazer com que o homem perdesse ou esquecesse de sua origem divina.
Explicamos: Na lenda que nos remete à invenção do Tarot e da Escrita (essa lenda justifica ambas criações), diz-se que “os deuses estavam muito preocupados naqueles tempos, pois o homem não lembrava mais qual era a sua origem. Não lembrava mais do seu período celeste, enquanto o tempo e o mundo ainda não existiam como se conhece hoje. Logo, os deuses reuniram-se, buscando uma solução para esse problema, quando o deus Thoth sugeriu que, uma vez que o ser humano esquece de tudo, mas não esquece do próprio vício ou de cometer erros, que então se preservasse essa sabedoria em um vício.
A idéia teve aceitação geral e então os deuses criaram um jogo de lâminas em que toda sabedoria estava contida, preservada. Por elas passariam milhares de olhos que ignorariam seu real significado, mas em compensação, abririam-se essas para aquele que estivesse de posse da sabedoria necessária para conhecer seu significado. Como está escrito na Bíblia: “Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, que veja e que ouça...”. Assim, nascia o Tarot. Todo o simbolismo mágico de origem celeste, preservado em um maço de 78 lâminas, que traz em si mesmo, a semente do mortal e do imortal, da virtude e do vício. Esse é o Tarot.”
Vamos ao que interessa. Segundo alguns estudiosos do oculto a grande obra luciferiana seria condenar o homem ao esquecimento de sua origem divina. Thoth-Hermes representava o contato direto do homem com a divindade, e o babuíno cumpria a função do esquecimento dessa mesma divindade. Pelos relatos conhecidos, muitas vezes o deus não se comunicava diretamente com o homem, e para isso usava o babuíno, que ao transmitir a mensagem fazia de forma distorcida, no intuito de confundir o homem. Usando essa relação mitológica podemos explicar o funcionamento do supraconsciente e do subconsciente. Quando falamos de simbolismo e de magia, nos referimos ao supraconsciente, que seria esse contato com a divindade, de natureza solar. O que os psicólogos em geral definem como subconsciente refere-se à natureza lunar do babuíno de apenas repetir algo sem julgar seu significado.
Para se chegar à compreensão completa de um símbolo (se é que isso é possível) é necessário que o estudante possua determinadas qualidades sem as quais ele jamais poderá compreender a profundidade de seu significado. O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.
A primeira é a simpatia. Não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão. Entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.”
A Magia Prática
A Magia prática é talvez o meio mais difícil de se estudar magia, pois ele não exclui o estudo teórico, mas inclui o mesmo na sua razão de ser. A Magia prática pura, atualmente é extremamente rara e muito difícil de ser encontrada. Sua compreensão baseia-se numa visão mágica do mundo. Ao contrário do que se pode pensar num primeiro momento, não é uma visão anímica do mundo, como poderia definir Freud, mas a compreensão que o universo como um todo pulsa e transpira vida, mesmo na morte. Os magos antigos tentaram explicar essa percepção através da criação de mitos, e enganam-se aqueles que nisso tem uma percepção rasa que eles significariam energias da natureza. Conceitos puros de um universo vivo são abstratos demais no entanto, sendo necessário vestí-los com uma roupagem mais facilmente aceita por nossa mente objetiva. Os mitos verdadeiros (aqueles que são fruto de uma percepção do espírito) são universais e aqui utilizamos um texto do Ir. Marcelo Motta, que acreditamos sintetizar aquilo que é necessário saber sobre o estudo dos símbolos aplicáveis em qualquer época ou nacionalidade, transcendendo portanto o tempo e o espaço.
"Um grande número de pessoas confunde esse estudo dos símbolos com a prática mágica. Podemos exemplificar isso com a esmagadora maioria dos astrólogos da atualidade. Normalmente são estudiosos fascinados pelo autoconhecimento, tentando desvendar a alma por seus símbolos, mas nunca a viram de frente. Debruçados sobre livros com páginas amareladas pelo tempo, jamais olham para o céu. Muitos são capazes de olhar para o céu na tela de um computador, mas nunca ao ar livre, com medo de serem esmagados pelas estrelas. Aos estudiosos de astrologia que porventura se sentirem ofendidos pelo exposto acima, antes de condenarem o autor do ensaio, respondam a si mesmos:
a) Alguma vez já tentei observar o movimento das estrelas durante seu curso pela abóbada noturna e consegui identificar pelo menos um planeta?
b) Sou capaz de identificar as fases da lua sem recorrer a uma efeméride ou a um calendário?
c) Qual é o signo que ascende no horizonte exatamente neste momento? (Olhando para o horizonte sem qualquer instrumento).
d) Sou capaz de identificar a constelação do meu signo solar?
e) Quanto tempo passei no último ano olhando a dança dos astros?
A lista segue...
Se você respondeu negativamente a mais de uma pergunta, você é um astrólogo de gabinete, um teórico. Não vamos nos deixar enganar e dizer que a teoria não tem validade, porque tem. E muita. Veja o texto mais acima, de como estudar a teoria. O que devemos perceber é que muitas pessoas confundem a teoria com a prática. Isso deve ser mudado. Babuínos de Thoth, reverenciam o sol esquecendo-se de si mesmos. Qual é o ritmo de sua dança? Muitos se entregam aos braços de um deus morto que sequer pode abraçá-los. Morto como seus seguidores, pelos quais já não pode fazer mais nada. Como então desenvolver a prática da Magia?
A prática da Magia pode ser entendida como a observação da natureza. Não quero que isso seja entendido como é atualmente, que a magia da natureza é sair por aí abraçando árvores e pisando descalço na grama. O processo todo demanda num longo processo de observação das coisas da natureza:
- Plantas - Suas cores, seu crescimento, a energia que delas emana, etc.
- Astros - As estrelas, planetas, seu movimento e sua influência.
- Animais - Reprodução, crescimento, grupos, etc.
Enfim, a magia é o conhecimento do universo que nos rodeia."
Se a Prática da Magia é o conhecimento da natureza, qual a necessidade dos rituais? Os rituais existem devido ao esquecimento das coisas divinas conforme descrito acima. Os rituais são fórmulas dramatizadas que tem como objetivo demonstrar um conhecimento de determinada natureza. O ritual em si, não tenta falar direto ao consciente, mas diretamente ao espírito ou supraconsciente. É muito comum aos rituais irem do sublime ao absurdo num piscar de olhos. Isso acontece porque o ritual precisa burlar as armadilhas do consciente e da razão para atingir diretamente o espírito. Qual a necessidade de burlar o racional? A mente racional bloqueia diretamente todas as manifestações do espírito, e no caso do estudo mágico este é exatamente o objetivo, contatar o espírito diretamente. Quanto mais próximo de uma verdade está um ritual, mais eficaz ele será. Não importa aqui a sofisticação ou simplicidade, desde que ele esteja próximo da verdade que deseja representar. Os rituais que se aproximam da natureza ou feitos ao ar livre, normalmente têm uma eficácia muito grande. Mas, cuidado. Ficar dançando em volta de um caldeirão só traz como resultado tontura. Hoje em dia o que não faltam são pseudo xamãs e pseudo druidas, que na verdade são um arremedo dos originais. É preciso muito cuidado antes de se unir a um grupo desses.
Conclusão
A finalidade da Magia é pessoal, única e exclusiva pra cada ser. Conforme foi dito no início do texto, ele não é definitivo nem tampouco verdadeiro, mas serve como uma lâmpada guia na escuridão que marca o caminho das Ciências Ocultas. Não pretendemos dizer que esta ou aquela organização ou pessoa seja o “verdadeiro” mestre, mas auxiliar o estudante na tentativa de encontrar um grupo onde possa realmente se desenvolver sem ter que se preocupar onde estão levando sua alma. O melhor guia na Magia Teórica e na Magia Prática é o bom-senso.
Khabs Am Pekht





Olá! Como faço para Iniciar o estudo no caminho certo,Adquirir as leituras certas? Eu ando muito frustrado, não sei onde buscar essa filosofia, esse algo que praticamente me chama. Pode ajudar? Abraços!
ResponderExcluir